Mundo de ficçãoIniciar sessãoSarah narrando:
A casa dos pais de Robert cheirava a torta de maçã e hospitalidade do interior. Eu tentava ajeitar o vestido, as mãos ainda levemente trêmulas. Mal conseguia processar que o homem da estrada — o homem que não saía de minha cabeça — era real e estava ali, debaixo do mesmo teto. Senti meu estômago dar um solavanco. Robert me abraçou pela cintura, guiando-me até a porta. Como seria daqui pra frente? Conviver com aqueles olhos verdes todos os dias, cruzar pelos corredores estreitos da casa que agora tinham cheiro de asfalto, fumaça e perigo. A casa estava silenciosa, exceto pelo som dos grilos lá fora. Desci as escadas em busca de um copo d'água, tentando tirar da cabeça a imagem de John sem camisa sob o sol forte da estrada. Entrei na cozinha, sem acender a luz e quase perdi o fôlego. John estava lá, encostado no balcão, apenas de calça jeans, bebendo água direto de uma garrafa. A luz da lua entrava pela janela e batia nos cabelos loiros dele, iluminando os músculos das costas. Ele era o próprio pecado loiro, e Senti meu rosto esquentar instantaneamente. — Sem sono, cunhadinha? — John perguntou, virando-se devagar. Os olhos verdes brilharam na penumbra, analíticos. — O calor... — murmurei desviando o olhar do peitoral dele. — Não consegui dormir. John deu um passo à frente, a presença dele preenchendo o espaço pequeno entre nós. Ele exalava uma masculinidade rústica que Robert não tinha. — Entendo. O asfalto aqui ferve durante o dia e a casa demora a esfriar — ele disse, a voz rouca vibrando no ar. — Mas você parece nervosa desde que cheguei. Aconteceu alguma coisa no carro que você não contou pro meu irmão? Senti o coração disparar. Lembrei do momento em que desejei que ele me pedisse um beijo. — Não. Você foi um cavalheiro, John. Eu só... ainda estou um pouco abalada com os motoqueiros. Não quero deixar Robert preocupado com isso, por isso não falei o que aconteceu. Ele não me deixará fazer nada sozinha. John se aproximou mais um pouco, apenas o suficiente para eu sentir o calor do corpo dele. Ele estendeu a mão e, com as costas dos dedos, roçou levemente minha bochecha. — Não precisa ter medo aqui. Ninguém encosta em você enquanto eu estiver por perto. Entendeu? Ele me encarou por um segundo a mais do que o necessário, um silêncio carregado de eletricidade, antes de passar por mim e subir as escadas, me deixando sozinha com a sede e o desejo queimando mais do que o sol daquela tarde. Desejei ser beijada por ele novamente. O que ele tinha que me fazia deseja-lo tanto assim? Robert era um noivo carinhoso, mas talvez um pouco previsível ou focado demais no trabalho. John era o "lobo solitário". Um tinha o toque seguro o outro o fogo que se sente apenas ao te olhar. Para evitar John eu procurava ficar mais próxima de minha sogra, ou ficar mais tempo dentro de meu quarto. Às vezes, da janela o via perto da carreta, sem camisa, só de calça jeans. Num outro dia, o sol brilhava forte, dentro de casa o calor era insuportável. Tomei uma ducha fria, vesti um vestidinho leve de seda que mais parecia uma camisolinha, mas a intenção era nao sair do quarto. Na casa, estavam só Diana a mãe de Robert e eu, havia alguns empregados, mas eles nao entravam em casa. Eu estava deitada folheando uma revista de vestidos de noiva, quando ouvi meu nome. Cheguei na janela, Diana estava me chamando. - Sarah, por favor, preciso que ligue o disjuntor que esta no quadro próximo a escada do porão. - Claro, só um momento. Desci as escadas, descalça mesmo, passei pelo corredor estreito, abri o quadro e liguei o disjuntor. Quando me virei, John estava encostado na parede, somente de calça jeans, a pouca claridade que entrava, mostrava seus músculos e sua pele brilhava por causa do suor. Ele parou exatamente onde eu teria que passar. - Não sabia que estava em casa. - disse seriamente. . - Para onde eu iria? John olhou para mim com aqueles olhos verdes que transbordavam desejo. A alça do meu vestido insistia em cair. Tentei coloca-la no lugar. O bico dos meus seios se enrijeceram me denunciando por baixo do tecido fino. - Eu preciso passar, você está no caminho. - É só me pular. Eu te ajudo. Senti que John estava tenso, ele não tirava os olhos das minhas coxas, dos meus seios, do meu corpo, da minha boca. Eu senti que ele estava jogando. Um jogo perigoso. - Acho melhor você sair do corredor para que eu possa passar, por favor. John saiu do corredor e ficou no batente da entrada. Passei por ele e ainda o encarei, fingindo decepção Mas a conexão entre nós foi instantânea. Foi como acender um fósforo num barril de pólvora. Para evitar esse tipo de situação passei a ir para a cidade com Robert. Passava o dia na loja de conveniência com minha amiga Nataly, mas virava mexia pensava em John. Até que ele apareceu na loja de conveniência. E eu estava no balcão com Nataly. - É ele. - O que? - É o John. - Amiga, e você ta fugindo desse homem? - Para Nataly! John se aproximou do balcão com uma garrafa de whisky, um maço de cigarro e alguns chicletes. Ele olhou fixo para mim, tentei nao olhar para ele, mas o olhar dele me atraía. - Entao, é para cá que você vem para fugir de mim? - Que isso John. Não estou fugindo. - Então volte comigo para casa. Nataly olhou para mim arregalando os olhos, quase me mandando ir com John. - Mas e o Robert? - Você liga para ele e fala que pegou uma carona comigo. Eu sabia que seria um erro, mas tinha que enfrentar John, ia ficar fugindo dele para sempre? Liguei para Robert. Avisei que estava voltando para a fazenda com John. John estava com a caminhonete de sua mãe. Entrei e procurei ficar bem próxima à porta. John acendeu um cigarro. - Nao sabia que você fumava. - Só fumo quando estou ansioso. - Deve estar ansioso para ir embora, imagino. - Estou ansioso porque uma pessoa esta me fazendo ficar aqui mais tempo do que eu queria. Achei melhor não conversar mais. Quando chegamos na fazenda ja estava anoitecendo. Antes que eu descesse da caminhonete, John me segurou pelo pulso. Ficou assim por um tempo, depois me soltou. Por mais quanto tempo eu ia conseguir me controlar?






