6. O Fogo que ME Consome

Sarah Narrando:

Era um dia daqueles… quente demais pra existir conforto. Diana, mãe de Robert falou do rio. Robert achou uma ótima ideia.

Mas John tinha que ir...

E ele foi.

Eu não conseguia me sentir à vontade.

Não perto dele.

Não com aquele cheiro… aquela presença…

Ninguém falou nada na ida.

Robert dirigia; eu ao seu lado e John atrás, bem atrás de mim.

Eu podia sentir o olhar dele fixo em mim.

Quando o vento atrapalhava meu cabelo eu arrumava despistando, tentando olhar para vê-lo.

E o sol continuava forte.

O rio estava bem abaixo de seu nível normal. Fazia tempo que não chovia. A água cristalina que corria só era suficiente para cobrir ate a cintura.

Robert estava super animado, desceu do carro já pronto para entrar no rio.

Eu sorri. De verdade.

John tirou sua camisa, eu não consegui disfarçar. Olhei diretamente pro seu peito, seus músculos, perfeitos. Ele entrou na água.

Fui atrás. Resolvi entrar. Bem devagar. O choque térmico foi imediato. A correnteza estava gelada, um alivio para a pele que o sol do Missouri tentava queimar. Senti John me olhando.

Meu vestido grudou em meu corpo por causa da água, se moldando ao meu corpo. Percebi quando John desviou o olhar.

Robert aproveitava o rio. Nadava, mergulhava, estava se divertindo. Sem preocupação.

Eu achei melhor ficar mais perto da margem A água batendo na minha cintura, tentando manter o controle.

Eu olhava para o Robert ali, tão calmo, e sentia um aperto no peito. Ele foi o meu porto seguro quando eu não tinha nada, a mão que me acolheu quando a solidão de ser órfã era tudo o que eu conhecia.

Eu deveria amá-lo com a mesma força que ele me ama, mas, naquele momento, percebi com pavor que o que eu sentia por ele era uma gratidão profunda e eterna... e não esse incêndio que o John acendia em mim com apenas um olhar.

Então John se aproximou, quieto, calmamente.

Bastou John se aproximar para que o frio da água desaparecesse. Onde nossos corpos quase se tocavam, o ar parecia ferver. Era como se a água ao nosso redor estivesse prestes a evaporar, consumida por um fogo que vinha de dentro de nós e que nenhuma correnteza seria capaz de apagar. Me virei:

— Você sempre chega assim?

Falei firme, mas meu olhar era doce.

Ele nem deu bola.

— Você sempre foge assim? - Foi o que ele me perguntou.

Não aguentei

— Eu não tô fugindo.

Era mentira minha. Ele se aproximou mais. Agora não tinha nenhuma distância entre nós. Fiquei preocupada com Robert.

— Ele tá olhando? — sussurrei.

Ele olhou sobre os meus ombros

— Não.

Ele me olhou com aqueles olhos perigosos.

Ele me tocou no pescoço e eu senti, por um segundo, fechei meus olhos.

— John… — eu sussurrei.— A gente não devia — eu disse.

Ele concordou com a cabeça.

E disse:

— Não.

Mas não nos afastamos, era difícil... Me aproximei um pouco mais. O suficiente.

Seu olhar desceu pra minha boca, depois voltou.

A voz do Robert cortou o ar.

- Sarah!

Eu me afastei na hora. Como se tivesse saindo de um transe.

— Já vou!

Passei por John rapidamente. Nem olhei para trás.

Saí da água, ajustando o vestido molhado

A volta foi mais difícil. Eu não conseguia parar de pensar em John. Na gente ali na água. Na nossa proximidade.

Robert falava sem parar e eu não ouvia nada do que ele estava falando.

Robert comentou que eu estava muito quieta.

— Tô cansada — respondi.

Mas era mentira.

O sol ja tinha se posto quando chegamos. A casa não estava tão quente. Tudo silencioso.

Desci do carro rapido. Queria evitar John.

Avisei que ia tomar um banho.

— Vai lá — Robert respondeu.

Tomei o banho e quando sai do banheiro, John estava parado, me esperando.

— John… - disse baixo.

Ele encostou no batente

— Vai fugir de novo?

Respirei fundo.

— Eu não tô fugindo.

— Não?

Ele chegou mais perto

— O que aconteceu lá no rio?

Eu engoli seco.

— Nada.

— Não foi nada… — ele repetiu, chegando mais perto.

— Você não se afastou — Ele disse baixo.

— Você também não - Eu respondi

O silêncio foi absoluto.

Ele olhou a minha boca, meu pescoço, depois voltou pros meus olhos.

Temos que parar com isso.

Ele concordou.

Mas ninguém se mexeu.

O ar ficou pesado.

Fechei os olhos quando ele inclinou o rosto.

Eu já sentia a respiração dele na minha boca.

Só mais um segundo…

Ele se afastou e me mandou ir deitar.

Eu bati a porta do quarto e me encostei nela, respirando fundo. Estava com raiva. Raiva do John por ter parado, e uma raiva ainda maior de mim mesma por ter desejado que ele não parasse. Eu estava noiva do 'homem perfeito', mas era o 'homem errado' que fazia meu sangue correr como lava nas veias.

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