Mundo de ficçãoIniciar sessãoJohn Narrando:
Sou John Bradley. A estrada é a única coisa que nunca me abandonou. Quatro… talvez cinco anos longe. Eu já nem contava mais. Voltei porque minha mãe pediu. E quando ela pede, eu apareço. E claro por um bom motivo, o casamento do Robert. Meu irmão mais novo. O sol estava castigando o asfalto quando entrei na I-80, já perto de Fairhaven. Faltava pouco pra chegar… quando vi. Um carro parado. E ao seu redor quatro ou cinco motos. Não precisei pensar. Parei a carreta e desci já engatilhando o rifle. — O que está acontecendo aqui? Mantive a voz baixa. Firme. — Nada que você possa se meter — um deles respondeu. Então eu ouvi. — Por favor, me ajuda! A voz dela. Foi o suficiente. Engatilhei o rifle devagar. — Vocês vão sair daqui. Agora. Ninguém discutiu. Os caras subiram nas motos e deram meia-volta. O líder ainda cuspiu no chão antes de ir embora. Covardes. Olhei pra ela. A garota caída no chão. Me aproximei. — Você tá bem? — S-sim… você me salvou! Assenti, mas não respondi na hora. Porque foi aí que eu a vi direito. Olhos escuros. Fixos em mim. Firmes demais pra alguém que acabou de ser cercada. Meu olhar desceu sem pedir permissão. Sua cintura fina. Respiração curta. Pele quente pelo sol. Porra. Desviei o olhar. Já era tarde demais. Ela se aproximou. E então me agarrou. Fiquei imóvel. Um segundo. Dois. O corpo dela encaixou no meu como se já soubesse onde ficar. Errado. Completamente errado. Mas eu não afastei. O cheiro dela ficou preso em mim. Cheiro de flor. Quando ela soltou… eu senti falta. Na mesma hora. Isso cheirava problema. — John — falei, por fim. — Meu nome. — Sarah. Assenti. — O que aconteceu com o carro? — Eu não sei… só parou. — Deixa eu ver. Fui até o motor. Abri o capô. Senti o olhar dela em mim o tempo todo. Ignorei. Ou tentei ignorar. Depois de um tempo, o carro voltou a funcionar. — Nossa, foi rápido — ela disse. Soltei um riso curto. — Não foi. Ficamos aqui quase duas horas. Ela me olhou de um jeito estranho. Distante. — Sarah. Nada. — Sarah. — Oi! Franzi a testa. — Você tá bem mesmo? — Tô… consigo dirigir. — Leva numa oficina. Ela assentiu. Silêncio. — Então… até algum dia. Subi na carreta antes que mudasse de ideia. Antes que fizesse alguma besteira. Segui viagem. Devia ter sido só isso. Só mais uma parada na estrada. Mas não foi. Não com ela. Quando entrei na propriedade, tudo estava igual. A casa da minha família. O cheiro. A poeira da estrada. Minha mãe na janela, acenando como se eu nunca tivesse ido embora. Desci da carreta. Ela me abraçou forte. Dentro de casa, comida quente já me esperando. Como sempre. Depois do jantar, apaguei no sofá. Quando acordei, já era noite. Ouvi o carro do Robert. Subi. Ele veio na minha direção e me puxou num abraço. — Até que enfim você apareceu! — Tive que vir — respondi. — Antes que você faça besteira. Ele riu. Então virou o corpo. — Sarah, esse é o meu irmão mais velho. Eu já estava olhando. Antes mesmo do nome. E quando vi… Reconheci na hora. A mulher da estrada. Claro que era ela. Fiquei parado sem reação. Só observando. Sem pressa, ir pra onde?. Ela também sabia. Vi no jeito que respirou. Dei um passo à frente. Estendi a mão. — Sarah… Minha voz saiu mais baixa. Mais pesada. — Prazer em conhecer a mulher que domou meu irmão. Os dedos dela tocaram os meus. Quentes. Delicados. Segurei um segundo a mais do que devia. O polegar roçou de leve no pulso dela. Quase nada. O suficiente. Ela puxou a mão de volta. E se agarrou ao braço do Robert. Certo. Era assim que tinha que ser. Eles entraram. Eu fui atrás. Mas uma coisa ficou clara naquele momento: Isso não ia acabar bem.






