O grande perigo é eu gostar do fogo dele mais do que deveria.
Isadora
O sedã preto desliza pelas ruas de São Paulo sem fazer barulho, como se estivesse flutuando. O motorista é um profissional impecável, dirige com aquela eficiência silenciosa que eu sempre exigi. Dentro do carro, o cheiro de couro novo e o ar-condicionado no máximo criam uma bolha perfeita, um mundo onde nada de ruim acontece. Mas, por algum motivo, eu me sinto sufocada. É um contraste absurdo com o ar quente, pesado de graxa e cheiro de suor que eu acabei de deixar para trás na oficina.