Mais cedo ou mais tarde, o mundo real vai cobrar o preço desse teatro.
Daniel
Entro no elevador e aperto o botão da cobertura.
O espelho diante de mim revela um homem que eu não via há três anos.
O Atlas do passado.
Não é o corte impecável do terno que me incomoda. Nem a precisão quase cirúrgica do nó da gravata.
É o que ele representa.
O reflexo grita pertencimento a um mundo que eu tentei enterrar com as próprias mãos.
Um mundo que eu tentei matar.
E, ainda assim, ele continua olhando para mim do outro lado do espelho.
Quando as portas se abrem, caminho pelo cor