Dou meia-volta e começo a atravessar a oficina. O som do meu salto volta a ecoar no concreto, firme, controlado, como se nada naquela conversa tivesse me afetado. Mas sinto o olhar dele nas minhas costas. Pesado. Atento.
Quando chego à porta, não resisto e olho por cima do ombro.
Daniel Montenegro ainda está parado ao lado do Rolls-Royce, as mãos apoiadas na lataria, me observando sair. Não é um olhar de homem que acabou de fechar um serviço. É o olhar de alguém que acabou de aceitar um desafio