Ele dá um passo. Estamos próximos demais agora. A poucos centímetros. Posso ver o suor escorrendo pela têmpora dele, mesmo com o tempo fresco. Posso sentir o calor do corpo, a energia que emana dele. O cheiro inconfundível: madeira, pele e alguma coisa que não vende em loja. Cheiro de perigo. Cheiro de desafio. Cheiro de um homem que me tira do eixo, que me faz questionar tudo o que eu pensava saber sobre mim mesma e sobre o mundo. E, por mais que eu tente resistir, me sinto irremediavelmente atraída por esse perigo, por esse desafio, por esse homem que é tudo o que eu não deveria querer, mas que, de alguma forma, eu preciso.— Então, o carro te fez fazer esse sacrifício enorme de ter de lidar com um mecânico sujo de graxa, princesa. Por isso voltou? — ele pergunta, a voz baixa, mas com um tom que me diz que ele já sabe a resposta. Ele não precisa de palavras, ele me lê como um livro aberto, e isso me irrita profundamente. Eu odeio ser previsível.— Sim — respondo, tentando manter a v
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