Antonella
O convite chegou numa mensagem simples, com um bolo colorido e um número “1” dourado no topo. Laura, minha amiga dos tempos de escola, estava comemorando o primeiro aniversário do filho.
Eu li e reli o texto algumas vezes, pensando se devia ir. Não nos víamos havia anos, mas eu sempre gostei dela. E, no fundo, eu precisava de um dia longe do peso da mansão.
Comprei um macacão confortável azul-marinho e prendi o cabelo em um rabo baixo. Passei numa loja de brinquedos no caminho e escolhi um presente bonito, um conjunto de bloquinhos de montar com letras e números, desses que fazem barulho quando batem um no outro. Pedi que embrulhassem com papel amarelo e fita branca. Simples, alegre.
A casa de Laura ficava num bairro tranquilo de Toronto, com árvores altas e carros estacionados de maneira quase milimétrica. Quando estacionei, já dava para ouvir música infantil baixinha e risadas no quintal. Respirei fundo, peguei o presente e toquei a campainha.
— Antonella! — Laura aparece