Antonella
Eu dei meio passo para trás. Eu precisava terminar aquilo. Terminar dentro de mim.
— Eu fui a uma festa infantil hoje — contei, respirando fundo. — A mãe do bebê falou de gêmeos, de planos, de alegria. E eu sorri. Sorri porque eu quis ser educada, porque eu quis ser feliz por ela. E fui. Mas eu entrei no banheiro e chorei. Chorei porque eu sinto falta de algo que eu não vivo com você. Falta de você, Alonzo. Falta de nós.
Ele fechou os olhos, breve, como se aquilo pesasse. Quando abriu, estavam marejados. Não de lágrimas, exatamente, mas de esforço.
— Eu não sei fazer isso — ele murmurou.
— Aprende — respondi, sem hesitar. — Ou me deixa ir.
— Não fala isso.
— Então me prova que eu não sou só uma assinatura. Olha pra mim e me diz que você quer tentar. Não por causa da empresa, do contrato, dos nossos sobrenomes. Por mim. Por você. Por nós.
Ele respirou fundo. Eu esperei. Foram segundos longos, daqueles que decidem uma vida. E então, veio a mesma parede de sempre.
— Agora não