Capítulo 2

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Alyne Breder

Entre uma troca de fralda e outra, comecei a escrever pequenos contos com temáticas eróticas e darks, usando da minha experiência, mentalidade autodestrutiva e desejo de ser intensamente desejada sexualmente.

Logo os contos ficaram famosos e acabei passando a escrever livros maiores. Aos poucos, fui sendo reconhecida na A****n e em diversas outras plataformas, chegando me tornar autora best-seller com algumas de minhas obras.

Com a “fama” veio também a responsabilidade para com os meus leitores, de conscientizá-los e trazer livros cada vez melhores e informativos. Mas, para isso acontecer eu deveria estar bem por completa.

Comecei então a cuidar de mim, iniciando sessões de terapia com uma psicóloga e uma terapeuta sexual. As melhores que eu pude encontrar no Rio de Janeiro.

Essa dupla de mulheres empoderadas me fez enxergar o quão profundo eram as feridas deixadas por aquele relacionamento vivo. E a cada sessão, elas traziam um pouco da antiga Alyne de volta.

Não que antes eu fosse um poço de confiança, mas pelo menos ela existia dentro de mim, antes do Marcos destruí-la por completo.

— Tão buzinando aí na frente, filha — ouvi minha mãe falar à porta do meu quarto ao qual eu dividia com as minhas três filhas

Sorri para ela em agradecimento.

— Deve ser o Uber que eu pedi — informei, já colocando o celular dentro da bolsa de mão e pegando uma máscara de baile dourada.

Me dirigi até a sala onde meu pai babava na neta mais nova dele, que se encontrava em seu colo. Maria Eduarda pulava e ria com as caretas que ele fazia enquanto o jogo de futebol parecia estar em seu intervalo.

Fui até o sofá onde Bianca e Valentina estavam e dei um beijo em cada uma.

— Se comportem e obedeçam a vovó e o vovô, ok meus amores?

— Sim, mamãe — elas disseram juntas, fazendo-me sorrir e dar mais um beijo em ambas antes de ir me despedir dos meus pais e da minha pequena.

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🔥🔥🔥

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O trânsito estava caótico como sempre, à medida que o Uber se dirigia até o meu destino, o Copacabana Palace Lux, um grandioso hotel cinco estrelas localizado em frente a linda praia que levava o mesmo nome do imponente edifício ali erguido.

O meu nervosismo era quase que palpável dentro do meu estômago, se irradiando para o resto do meu corpo, fazendo a minha ansiedade se elevar a níveis estratosféricos.

Durante o trajeto, me peguei pensando...

Eu deveria estar em casa, vestindo o meu confortável e velho blusão de dormir, aumentando ainda mais minhas estrias saboreando um delicioso sorvete com as minhas filhas enquanto espero a hora da próxima mamada da noite da Dudinha chegar.

Mas, estou dentro desse carro, usando um vestido preto estilo mullet que mais parecia uma capa de botijão de gás por ser folgado, calçando sandálias de salto alto e com uma máscara de baile no colo, a caminho de um encontro sexual às cegas com dois homens desconhecidos.

“Eu, com certeza, sou louca!”

Entretanto, essa loucura que eu estava a caminho de fazer foi uma missão dada pela Dra. Mariana Hayes, minha terapeuta sexual. Se eu realmente queria ser desejada na cama, deveria ir atrás de quem gostasse do meu tipo de corpo.

Como a Mari comentou em uma sessão comigo um dia...

“Não adianta você ir a uma festa, ou a uma balada ou até mesmo em um barzinho e sair atirando para todos os lados a fim de achar um homem que goste de gordinha, porque é como se você procurasse uma agulha em um palheiro. E ainda corre o risco de o alecrim dourado ser igual ao seu ex-marido”.

Com isso em mente, e seguindo os conselhos dela para que eu curtisse minhas filhas e fosse atrás só de sexo casual, procurei na internet sites para amantes de mulheres gordas.

Dentre eles, um se destacou ao meus olhos por oferecer pacotes de encontros para todos os tipos de gostos e fetiches, dentro do permitido em lei, tendo como lema principal a privacidade dos envolvidos.

Muitos dos pacotes do site se encontravam a preços exorbitantes, fora do orçamento que eu tinha estipulado para gastar com aquilo, contudo, depois de alguns dias quando entrei novamente, vi que estava tendo uma promoção em relação à época do Halloween e do início do mês da Black Friday.

Escolhi então um pacote de encontro à três. Seria eu e mais dois homens desconhecidos por algumas horas em um hotel escolhido pelo site de encontros.

Eu já havia escrito livros com essa temática trisal, pesquisando a fundo sobre casais a três e suas realidades. Mas, é aquilo né? Pesquisar sobre um assunto é uma coisa, vivenciar aquilo era outra totalmente diferente.

Era um nível mais elevado de fidelidade, percepção e qualidade para o seu texto.

— Quanto ficou, senhor? — perguntei ao notar que havíamos parado.

— Vinte e sete reais.

Paguei o motorista e sai do carro, olhando por alguns segundos para o grandioso hotel à minha frente. Seria apenas uma noite de sexo com dois estranhos. Nada mais.

Respirei profundamente, enchendo-me de coragem e me pus em movimento, dirigindo-me para as portas do edifício.

Depois de seguir as orientações dadas pelo site através de um e-mail de confirmação do lugar do encontro, descobri através do recepcionista que havia ocorrido uma alteração na reserva. Ao invés de um quarto simples agora a pernoite aconteceria em uma das suítes na cobertura.

Fiquei sem reação, principalmente quando o rapaz me informou que a alteração veio por ordens de um dos sócios do hotel. Ainda sem saber o que deveria fazer, só agradeci ao recepcionista e segui para o elevador, subindo rumo ao andar onde estava localizada a suíte 369.

Antes de passar o cartão magnético na fechadura da porta, coloquei a máscara em meu rosto, ajeitando-a e amarrando firme para que o nó não desfizesse e, eventualmente, ela acabasse caindo durante o sexo.

O quarto era bem chique, digno daquelas suítes que vemos na internet em fotos de hotéis de luxo.

Tirei o celular da bolsa de mão e olhei a hora, vendo que eu estava uns quinze minutos adiantada. A passos lentos, explorei o quarto, abrindo o frigobar para dar uma olhada no que havia ali para beber, pois me encontrava com um pouco de sede, provavelmente devido ao nervosismo e a ansiedade.

O pacote que contratei estava incluso apenas o valor da pernoite com um bom desconto, mas depois daquela mudança de quarto eu não sabia se iríamos pagar do nosso bolso o que consumíssemos ali, então olhei quanto era a água no catálogo sobre a mesinha ao lado do frigobar.

Me espantei ao ver que a garrafinha de 500ml era vinte e cinco reais. Acabei desistindo de querer beber algo e fui para a sacada. A vista dali era deslumbrante, principalmente com a lua cheia iluminando o mar à medida que as pessoas passeavam pela calçada e os carros transitavam de um lado para o outro.

Fiquei ali por um bom tempo, admirando a vista até que de repente, escutei um barulho atrás de mim e me virei, vendo dois homens usando máscara de baile, assim como eu, adentrarem a suíte conversando um com o outro.

Mandei rapidamente uma mensagem para a minha mãe, avisando-a de que eu ia ficar off por algumas horas, mas qualquer coisa que acontecesse era para ela me ligar porque o celular iria ficar ligado e no vibrador.

A mesma só me respondeu um “Eu e seu pai nos viramos. Se divirta, filha” antes de ficar offline no W******p.

Guardei o celular na bolsa de mão novamente e voltei a encarar os dois outros ocupantes do espaçoso quarto que haviam percebido minha presença e me olhavam como se me avaliassem.

A ansiedade que tinha dado uma amenizada voltou naquele momento mais intensa quanto antes.

— Oi. Boa noite — os cumprimentei à medida que eu voltava para dentro da suíte.

Com um sorriso tímido, me aproximei de ambos, sentindo que minhas pernas se encontravam meio vacilantes e notando que um deles empunhava uma sacola meio grande, daquelas de grife, em uma das mãos.

“Aí minha Nossa Senhora Protetora das Safadas! Não me faça fugir agora” pedi mentalmente enquanto mantinha um sorriso, agora meio constrangedor em meus lábios.

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