Camila levou alguns segundos para conseguir ligar o nome à frase inteira. A caminhonete seguia pela estrada, o horizonte de agaves passando pela janela, e, de repente, tudo pareceu ficar mais distante, como se o mundo lá fora tivesse sido jogado alguns metros para trás.
— Em nome da minha mãe? — ela repetiu, com a voz mais rouca do que pretendia.
Rafael não diminuiu a velocidade, mas ajeitou melhor as mãos no volante, como se qualquer mudança brusca pudesse acabar de piorar o que ele acabara de dizer.
— Nicolás pediu para o pessoal da auditoria seguir o caminho do dinheiro da holding — explicou, sem rodeios. — Eles acharam várias transferências, todas dentro de um valor que não chama atenção em relatório superficial, mas com uma regularidade que faz qualquer gente séria levantar a cabeça.
Respirou fundo antes de continuar.
— Esses pagamentos foram para uma conta antiga, aberta há anos, no nome da Ingrid.
Camila sentiu o coração errar o compasso. Não era um simples susto; era a sensaçã