Rafael não saiu do quarto de imediato. Depois que a primeira descarga de irritação deu lugar a algo mais organizado, ele mudou de posição na cama, aproximou o corpo até encostar o ombro no de Camila, espalhou os relatórios entre os dois e começou a reler com atenção de quem não podia se dar ao luxo de tropeçar em nenhuma linha diante de um bando de sócios acostumados a farejar fraqueza.
Camila acompanhava com o dedo cada trecho que ele marcava, corrigindo aqui e ali o vocabulário, porque sabia que, numa mesa de gente que não sabia distinguir cheiro de fermentação de perfume caro, qualquer frase mal colocada seria usada contra eles.
— Não fala “fórmula agressiva” — ela disse, apontando um comentário que ele rabiscara na margem. — Isso dá margens para esses idiotas saírem repetindo que o problema é o agave azul. Usa “processo delicado” ou “parâmetro sensível”. Coloca o foco na manipulação posterior, não na criação original.
— “Parâmetro sensível” — ele repetiu, riscando a palavra anteri