CAPÍTULO 79 — QUANDO A VERDADE B**E À PORTA

A noite não foi exatamente um descanso, foi uma trégua imperfeita. Camila dormiu aos pedaços, presa entre a memória do som do batimento na clínica e a imagem do nome da mãe estampado no extrato da auditoria. Cada vez que o corpo relaxava, a mente puxava de volta a imagem do pai no jaleco manchado de agave, a da mãe sentada à mesa da cozinha encarando contas, e a de Rafael dizendo, com aquela calma terrível, que trataria Ingrid como tratava qualquer inimigo, se fosse preciso.

Ainda assim, quando o dia clareou e a luz filtrada pelas cortinas começou a desenhar novos contornos no quarto, ela percebeu que tinha dormido mais do que esperava. A cama estava meio desarrumada, o travesseiro de Rafael trazia o afundado do peso dele, mas ele já não estava ali. No lugar, sobre o criado-mudo, havia uma xícara de chá morno, um prato com torradas e uma folha de papel com a letra dele, firme, inclinada, lembrando a do pai nos cartões de Natal.

Não era uma carta, não havia discurso, apenas uma frase c
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