Camila acordou devagar, como se o corpo tivesse sido mergulhado em um lago morno e pesado. A primeira sensação foi o braço de Rafael envolvendo sua cintura, firme, constante, do tipo que não se afrouxava nem durante o sono. A segunda foi a consciência de que ele estava acordado antes dela.
Ele não se mexia, mas estava desperto. Dava para sentir na respiração dele, na rigidez silenciosa dos músculos, no cuidado exagerado com cada movimento. Rafael parecia estar monitorando cada ciclo de ar que ela puxava.
Quando Camila abriu os olhos, encontrou o rosto dele muito perto do seu.
— Como você está? — ele perguntou, sem rodeios.
Ela tentou se mexer, mas o corpo ainda tinha aquela lentidão estranha, como se estivesse dois segundos atrás do resto do mundo.
— Melhor — respondeu, puxando o ar com cuidado. — Foi só um mal-estar.
Rafael não respondeu. A expressão dele foi a prova silenciosa de que não acreditava em absolutamente nada do que ela dizia. Ele deslizou a mão pela lateral da cabeça del