Camila passou a manhã inteira tentando convencer o próprio corpo de que podia agir normalmente, mas cada tentativa de levantar terminava do mesmo jeito: Rafael aparecia na mesma hora, cerrando o maxilar como se estivesse prestes a incendiar o mundo caso ela desse mais um passo sem permissão. Ele parecia uma sombra com forma de homem, sempre ali, sempre atento, sempre perto demais, como se a proximidade dele fosse algum tipo de escudo que ela não tinha solicitado, mas que não conseguia afastar.
A primeira tentativa foi quando ela tentou ir ao banheiro sozinha. Não conseguiu dar três passos sem sentir o peso da mão dele segurando seu cotovelo, guiando, acompanhando, cercando.
A segunda foi quando abriu a boca para dizer que precisava trabalhar — ele não deixou terminar a frase. Apenas tocou a testa dela com as costas da mão e disse que ela estava pálida demais para discutir.
— Você não sabe quando parar, Camila — ele disse, com aquela calma perigosa que significava que ele estava preste