A manhã na Hacienda parecia mais calma do que nos dias anteriores, mas Camila sabia que a calmaria era uma camada fina demais para significar alguma coisa real. Desde a hora em que deixara o escritório, sentia uma exaustão diferente, uma que não vinha só do estresse, e sim do esforço contínuo de manter duas guerras internas: a da investigação e a da própria barriga.
Ela tentou ignorar o peso crescente nos ombros, tentou agir como alguém que só precisava de ar fresco. Caminhou pelo quarto, abriu a janela para deixar entrar o vento seco que vinha do campo, bebeu água, respirou fundo. A cabeça latejava, o enjoo voltava em ondas, mas não subia de uma vez — mergulhava devagar, como se procurasse cada espaço dentro dela para se instalar.
Tentou comer uma fruta. Não conseguiu. O cheiro doce bateu no nariz como um golpe. Fechou o potinho, empurrou para longe e encostou as mãos na mesa para recuperar o equilíbrio. O estômago se revirou, o ar fugiu do peito, a visão ficou turva por um instante.