CAPÍTULO 266

Desde a ligação da madrugada, Herrera sabia que faltava uma peça. O homem do caminhão falava com intimidade demais sobre decisões internas, demissões, cortes de rota.

Ele desceu ao arquivo morto logo cedo. Caixas até o teto, anos de papel acumulado. Começou pelos anos em que o pai de Rafael presidia tudo e Arturo já rondava o conselho.

Entre contratos de transporte e relatórios de manutenção, uma pasta fina, sem identificação, o fez parar. Estava enfiada entre papéis irrelevantes. Dentro, três folhas. A primeira era uma planilha simples: colunas de nomes, datas, observações. Alguns estavam riscados com caneta vermelha, acompanhados de comentários curtos.

“Resolvido.”

“Transferido.”

“Acidente.”

“Compensação feita.”

Herrera reconheceu sobrenomes ligados à Mena & Filhos, supervisores de frota, gente que vira de perto a mistura de economia e imprudência nas estradas. A segunda folha era mais curta. Menos nomes, mais específicos. Ele leu devagar.

Hugo Mena.

Um motorista da Mena & Filhos.

U
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