Desde a ligação da madrugada, Herrera sabia que faltava uma peça. O homem do caminhão falava com intimidade demais sobre decisões internas, demissões, cortes de rota.
Ele desceu ao arquivo morto logo cedo. Caixas até o teto, anos de papel acumulado. Começou pelos anos em que o pai de Rafael presidia tudo e Arturo já rondava o conselho.
Entre contratos de transporte e relatórios de manutenção, uma pasta fina, sem identificação, o fez parar. Estava enfiada entre papéis irrelevantes. Dentro, três folhas. A primeira era uma planilha simples: colunas de nomes, datas, observações. Alguns estavam riscados com caneta vermelha, acompanhados de comentários curtos.
“Resolvido.”
“Transferido.”
“Acidente.”
“Compensação feita.”
Herrera reconheceu sobrenomes ligados à Mena & Filhos, supervisores de frota, gente que vira de perto a mistura de economia e imprudência nas estradas. A segunda folha era mais curta. Menos nomes, mais específicos. Ele leu devagar.
Hugo Mena.
Um motorista da Mena & Filhos.
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