Herrera já dormia com o celular do trabalho ao lado do travesseiro desde o rastro de diesel no curral. A tela virada para cima, volume no máximo, como se qualquer vibração pudesse significar a diferença entre controlar o estrago ou só juntar os pedaços depois.
Ainda estava escuro quando o aparelho tremeu, sem tocar, com o aviso de chamada restrita. Não era o toque interno da equipe, nem o da delegacia. Era outro. Mais frio.
Ele atendeu antes do terceiro sinal.
— Herrera.
Do outro lado, dois segundos de nada. Ele reconhecia o tipo: gente que saboreava o efeito antes de falar.
A voz veio distorcida, grave demais para ser natural.
— Ele não deveria estar protegendo ela.
Herrera sentou na cama, a coluna ereta.
— Quem está falando?
— Isso só vai doer mais — a voz continuou, como se ele não tivesse perguntado nada. — Para ela. Para ele. Para todos vocês aí dentro.
Era alguém que sabia onde atingir.
Ele ligou o viva-voz, alcançou o caderno no criado-mudo.
— Se quer falar, fala direito. O que