CAPÍTULO 265

Herrera já dormia com o celular do trabalho ao lado do travesseiro desde o rastro de diesel no curral. A tela virada para cima, volume no máximo, como se qualquer vibração pudesse significar a diferença entre controlar o estrago ou só juntar os pedaços depois.

Ainda estava escuro quando o aparelho tremeu, sem tocar, com o aviso de chamada restrita. Não era o toque interno da equipe, nem o da delegacia. Era outro. Mais frio.

Ele atendeu antes do terceiro sinal.

— Herrera.

Do outro lado, dois segundos de nada. Ele reconhecia o tipo: gente que saboreava o efeito antes de falar.

A voz veio distorcida, grave demais para ser natural.

— Ele não deveria estar protegendo ela.

Herrera sentou na cama, a coluna ereta.

— Quem está falando?

— Isso só vai doer mais — a voz continuou, como se ele não tivesse perguntado nada. — Para ela. Para ele. Para todos vocês aí dentro.

Era alguém que sabia onde atingir.

Ele ligou o viva-voz, alcançou o caderno no criado-mudo.

— Se quer falar, fala direito. O que
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