Rafael estava junto à janela, fingindo olhar o pátio; Camila arrumava a cama, checava o bebê no bercinho e se agarrava à rotina para não pensar na noite anterior. Entre os dois havia pouco espaço e muita coisa não dita, um silêncio que podia virar discussão ou beijo.
Ele a observava sem disfarçar, tenso, desejando encostar, mas contendo o impulso. Ela sentia o olhar na pele, prendia o cabelo num coque rápido, fingia que só se importava com o travesseiro no lugar certo.
Bateram à porta. O som seco quebrou a bolha. Rafael endireitou o corpo; em segundos, o homem dividido deu lugar ao líder acostumado a receber notícia ruim.
— Entra.
Herrera surgiu com o celular na mão e o rosto sério.
— Tenho coisa que você precisa ver.
Rafael se afastou da janela, cruzou o quarto.
— Fala.
— Melhor você ler.
Herrera destravou o aparelho e entregou. Na tela havia uma sequência de prints de conversa, fundo escuro, números locais.
Camila inclinou um pouco o corpo para enxergar por cima do ombro de Rafael.