Rafael estava junto à janela, fingindo olhar o pátio; Camila arrumava a cama, checava o bebê no bercinho e se agarrava à rotina para não pensar na noite anterior. Entre os dois havia pouco espaço e muita coisa não dita, um silêncio que podia virar discussão ou beijo.
Ele a observava sem disfarçar, tenso, desejando encostar, mas contendo o impulso. Ela sentia o olhar na pele, prendia o cabelo num coque rápido, fingia que só se importava com o travesseiro no lugar certo.
Bateram à porta. O som se