Camila ainda estava com a mão na maçaneta quando percebeu que não conseguia sair. O quarto do bebê parecia pequeno, mas o corredor do lado de fora parecia pior; ali dentro ao menos havia a respiração tranquila do filho, aquele vaivém que acalmava mais do que qualquer conversa atravessada.
Rafael continuava perto do berço. Ficara onde estava quando ela recuou, como se o corpo não aceitasse se afastar. A camiseta escura colava nos ombros, o cabelo desalinhado, a mão grande apoiada na grade branca, perto demais da cabeça pequena para que ele não parecesse um gigante tentando se encolher.
— Camila.
Ele a chamou baixo, num tom que não combinava com o homem que, horas antes, a esperava na sala com uísque e acusações. A voz veio rouca, arranhando como se estivesse pouco acostumada a sair daquele jeito.
Ela virou só o rosto, o corpo ainda apontado para fora, pronta para ir embora se a próxima frase viesse na mesma moeda.
Rafael respirou fundo, demorando, como se buscasse a frase em algum luga