Camila caminhava pelo corredor em direção ao quarto do bebê quando o som de vozes baixas prendeu seus passos. A casa estava silenciosa demais para qualquer conversa passar despercebida. Reconheceu de imediato o timbre de Herrera e o de Rafael, num tom tenso que nunca significava coisa pequena. Deu mais dois passos até a porta do escritório, que estava só encostada. Por um instante pensou em voltar, mas a curiosidade misturada ao instinto de sobrevivência venceu.
Parou no vão, sem empurrar a madeira.
— A movimentação está aumentando — disse Herrera. — Não é mais teste isolado.
— Ele está testando a rotina dela — respondeu Rafael, seco. — Começou pela estrada, agora é vila, telefone, gente perguntando.
— Não temos quarenta e oito horas para reagir — completou Herrera. — Se esperarmos, ele escolhe a hora.
As palavras entraram em Camila como cacos finos: movimentação, rotina dela, prazo que não existia. A noite no bar, as idas à vila, até a caminhada inocente pelo pátio ganharam contorno