A febre não cedeu na primeira meia hora, e o quarto parecia encolher a cada nova medição. Ingrid anotava temperatura e horário, o bebê chorava rouco no colo de Camila, e Rafael andava de um lado para o outro.
— Trinta e oito vírgula nove — Ingrid avisou. — Caiu um pouco, mas ainda está alta.
Camila passou a mão pela cabecinha quente.
— Ele está mais molinho.
— O corpo cansa lutando contra a febre — a médica explicou. — Oxigenação boa, coração forte, respiração limpa. Se tivesse qualquer sinal ruim, eu já tinha colocado vocês no carro.
Rafael cortou, seco:
— Hospital não. Hospital vira vitrine para maluco, jornalista e bilheteiro.
— Por isso chamei o pediatra aqui — Ingrid retrucou. — Mas enquanto ele não chega, você respira. Sua paranoia cai em cima dela e do menino.
— Quanto tempo faz que ligamos? — Rafael insistiu.
— Quarenta minutos. Ele vem do outro lado da cidade, com escolta.
Passos soaram no corredor. Rafael saiu e encontrou o doutor Molina tirando o casaco no hall.
— Quase uma