Na madrugada seguinte, a febre começou a cair de verdade. Não foi milagre, foi um número de cada vez. Trinta e nove, depois trinta e oito e meio, depois trinta e sete e nove.
Ingrid entrou no quarto com o termômetro na mão.
— Trinta e sete vírgula oito — anunciou. — Se mantiver assim, de manhã ele está fora de risco imediato.
Camila segurava o filho colado ao peito, sentindo o corpo pequeno mais pesado de sono do que de febre.
— Ele está menos quente — murmurou.
— Está — Ingrid confirmou. — O remédio fez a parte dele. Agora o resto é do organismo e do colo da mãe.
Rafael, na poltrona, parecia ter envelhecido algumas horas. Estava de camiseta, calça de moletom, olhar fixo no bebê desde que a febre subira.
— Posso pôr ele no berço? — perguntou.
Camila hesitou, depois assentiu. Ele pegou o menino com cuidado e o deitou na caminha ao lado da cama.
Ingrid guardou o termômetro.
— Eu vou ficar no corredor — disse. — Qualquer coisa diferente, me chama. Mas, por enquanto, respirem.
Camila enco