A madrugada caiu pesada, mas, pela primeira vez em dias, a Hacienda parecia um pouco mais organizada. Guardas em turnos definidos, câmeras revisadas, Esteban rodando o perímetro com tablet na mão, Herrera em contato com a delegacia para cruzar dados de Ramiro Castañeda.
No quarto, Camila tentava aproveitar a trégua. O bebê tinha mamado, arrotado, dormido. Ela recostou na cabeceira, exausta, enquanto Rafael, sentado na poltrona, lia relatórios no celular com o brilho quase no mínimo.
O choro veio de repente. Não aquele resmungo típico, e sim um som mais agudo, aflito. Camila endireitou o tronco na hora.
— Calma, pequeno, calma…
Pegou o filho no colo, embalou, mas o choro não diminuía. Rafael largou o celular.
— O que foi?
— Não sei. Está diferente.
Ela encostou o pulso na testa do bebê e sentiu o calor subir.
— Ele está quente. Muito quente.
Rafael já estava em pé.
— Ingrid.
Abriu a porta e chamou pelo corredor, sem gritar, mas num tom que não deixava dúvida. Poucos segundos depois, a