Ingrid entrou no quarto no meio da tarde com o jaleco aberto e o rosto duro. Camila estava na poltrona, amamentando; Rafael, perto da janela, fingia ler o tablet.
— Aconteceu alguma coisa? — Camila perguntou.
— Aconteceu — Ingrid respondeu. — E não é nada médico.
Rafael se aproximou.
— Fala.
Ela puxou uma cadeira e sentou de frente para os dois.
— Um funcionário da casa recebeu proposta de dinheiro para entregar informação sobre vocês — disse. — E só me contou porque ficou com medo depois de ver as notícias do serial.
— Quem? — Camila perguntou.
— Um dos rapazes da manutenção do jardim interno. Na saída da vila, ontem à noite, um homem abordou, ofereceu dinheiro para saber quando você sai do quarto e se existe rotina fixa de médico e segurança neste andar.
Rafael fechou o rosto.
— Ele aceitou?
— Disse que não — Ingrid respondeu. — O sujeito então entregou um cartão só com número de telefone e falou que pagaria em dobro se ele mudasse de ideia.
O bebê largou o peito e resmungou. Camila