Camila tinha escolhido a salinha de leitura no fim do corredor como refúgio rápido. Pequena, duas poltronas, uma estante e janela para o pátio interno. Ingrid tinha aprovado a ideia, desde que ela avisasse sempre que saísse do quarto.
Naquela tarde, o bebê enfim tinha pegado no sono pesado. Rafael desceu para uma reunião com Nicolás e Esteban. Ingrid foi ver um paciente na vila. Pela primeira vez em dias, a casa parecia mais leve.
Camila sentou na poltrona, puxou um livro da estante sem olhar o título. Pensava no caminhão na cerca, na marca da transportadora na parede da clínica, no rosto de Herrera falando em padrão.
O celular vibrou no bolso do moletom. Número desconhecido.
Pensou em deixar tocar. Depois lembrou que qualquer ligação podia ser do delegado ou de alguém da segurança. Atendeu.
— Alô?
Por dois segundos, só ruído baixo.
— Alô?
A voz entrou. Grave, sem sotaque marcado, com timbre estranho, como se passasse por filtro.
— A casa Villalba — disse a voz. — Sempre gostou de emp