O rapaz da manutenção estava sentado na ponta da cadeira da salinha ao lado da enfermaria, mãos unidas, olhar preso no chão. Herrera folheava um bloco de notas, Nicolás mantinha o tablet ligado e Esteban encostado na parede fazia guarda.
A porta abriu devagar. Rafael entrou.
— Só observando, delegado — avisou.
Herrera assentiu.
— Tudo bem. Quanto mais testemunha séria, melhor.
O rapaz quase pulou da cadeira.
— Senhor Villalba, eu… eu não fiz nada…
— Ainda — Herrera cortou, num tom seco. — Respira e me conta do começo.
Ele engoliu em seco.
— Eu saí da Hacienda ontem, pela noite, pelo portão da vila, como sempre, depois do turno. Estava indo pegar o ônibus quando um carro parou devagar. Uma pick-up escura, suja de barro. O homem abaixou o vidro e perguntou se eu trabalhava “lá em cima”.
— Lá em cima onde? — Herrera perguntou.
— Na Hacienda. Ele falou assim. Disse que sabia que eu mexia com jardim, porque me via passando.
Nicolás anotava tudo. Rafael observava cada gesto, como se estives