CAPÍTULO 195

O rapaz da manutenção estava sentado na ponta da cadeira da salinha ao lado da enfermaria, mãos unidas, olhar preso no chão. Herrera folheava um bloco de notas, Nicolás mantinha o tablet ligado e Esteban encostado na parede fazia guarda.

A porta abriu devagar. Rafael entrou.

— Só observando, delegado — avisou.

Herrera assentiu.

— Tudo bem. Quanto mais testemunha séria, melhor.

O rapaz quase pulou da cadeira.

— Senhor Villalba, eu… eu não fiz nada…

— Ainda — Herrera cortou, num tom seco. — Respira e me conta do começo.

Ele engoliu em seco.

— Eu saí da Hacienda ontem, pela noite, pelo portão da vila, como sempre, depois do turno. Estava indo pegar o ônibus quando um carro parou devagar. Uma pick-up escura, suja de barro. O homem abaixou o vidro e perguntou se eu trabalhava “lá em cima”.

— Lá em cima onde? — Herrera perguntou.

— Na Hacienda. Ele falou assim. Disse que sabia que eu mexia com jardim, porque me via passando.

Nicolás anotava tudo. Rafael observava cada gesto, como se estives
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