O quarto tinha ficado mais silencioso depois que Esteban saiu. O bebê mamava com menos força agora, soltando o peito por alguns segundos, voltando em seguida, como se estivesse testando o próprio limite.
Rafael continuava sentado ao lado da cama, o cotovelo apoiado no colchão, o olhar preso nos dois.
— Você precisa dormir, pelo menos um pouco.
— Se eu dormir, você vai roubar ele de mim.
— Vou roubar nada. Já tenho vocês dois, não preciso de crime novo.
Ela riu fraco.
— Não estou chorando porque estou triste — avisou. — Só porque doeu muito e agora está tudo muito… grande.
— Eu sei. — Ele passou os dedos com cuidado pelo cabelo dela. — Por mim você podia chorar o quanto quisesse. Hoje ganhou esse direito.
A porta abriu devagar. Ingrid entrou, desta vez com expressão menos tensa.
— Hora de fazer ele pagar o primeiro imposto da vida — falou. — Exame rápido, pesagem, aquelas coisas que as pessoas adoram postar na internet, mas que eu prefiro fazer sem plateia.
Camila agarrou melhor o bebê