Camila não sabia quanto tempo ficou só olhando para o bebê no peito. Podia ter sido cinco minutos ou uma hora. O que importava era o peso morno sobre o corpo e o som baixo que tinha substituído o choro.
Rafael continuava ali, sentado, inclinado para frente, preso àquela cena.
— Ele já parou de brigar com o mundo — comentou.
— Está só carregando bateria — Camila respondeu. — Este lugar vai exigir muito dele.
Ingrid conferiu pressão, sangramento, monitor.
— Os dois saíram muito bem. Ele é forte, você também. Vou avisar lá em cima que correu tudo bem e deixar vocês em paz.
Rafael ergueu o olhar.
— Não solta “nasceu” no corredor como se fosse manchete. Primeiro eu quero falar com quem segura o portão.
— Eu sei guardar informação, Rafael — Ingrid respondeu. — Daqui a pouco eu volto.
Ela saiu. O quarto ficou só com a respiração dos três.
Camila acariciou a cabeça do bebê.
— Você acha que ele tem a sua cara?
— Eu acho que ele tem cara de quem vai mandar em nós dois — Rafael respondeu.
Ela ri