Camila acordou com a sensação de que tinha dormido pouco. O relógio marcava quase oito, a luz entrava filtrada pela cortina e o lugar ao lado dela na cama estava vazio. O cheiro de café vinha do corredor, misturado ao perfume de Rafael.
Ela se ergueu devagar, apoiando as mãos na cama para tirar o peso da barriga. O menino mexeu, como se lembrasse que ainda estava ali. Camila passou a mão pelo ventre.
— Calma, guerreiro. Hoje é ele que vai apanhar — murmurou.
A porta do closet estava entreaberta. Ela ouviu o som de cabides, tecido roçando, um suspiro pesado.
— Rafael?
— Já vou — a voz veio de dentro, mais grave do que o normal.
Ela foi até a porta. Encontrou-o em frente ao espelho, já de camisa branca, gravata escura solta no pescoço, paletó no cabide. O rosto estava sério demais para ser só cansaço.
— Você saiu da cama sem me acordar — ela reclamou, encostando na ombreira.
— Você finalmente dormiu sem sobressaltar. Eu não tive coragem de estragar — ele respondeu, pegando a gravata.
Ca