A noite caiu rápido. Quando Camila levantou a cabeça do travesseiro, o quarto estava só com a luz amarela do abajur acesa e o barulho distante dos carros do lado de fora.
Rafael entrou com uma bandeja.
— Chá, ordem da médica — avisou, colocando-a na mesinha. — Se fosse por mim, eu traria tequila.
— Se você aparecer bêbado na assembleia, eles te derrubam antes da primeira frase — ela respondeu.
Ele deu um meio sorriso e sentou na beira da cama, afrouxando a gravata.
— A assembleia é amanhã.
— Eu sei. Passei o dia fingindo que não estava contando as horas.
Rafael pegou uma xícara e a entregou a ela.
— Vai ser pesado. Vão usar o testamento, o suposto herdeiro, as mortes, a sua gravidez. Vão tentar me pintar como risco para a empresa.
— E você vai se defender como presidente ou como homem de família? — Camila perguntou.
— Dos dois jeitos. Como presidente, com números e provas. Como homem, deixando claro que não vou sacrificar você e nosso filho para agradar acionista.
Ela bebeu um gole.
—