Camila não conseguiu dormir quando a noite caiu de vez sobre a Hacienda. As luzes externas acenderam, recortando sombras pelos campos de agave, e a lembrança dos cães latindo mais cedo continuava presa na nuca. Ela fingia ler, mas não passava da mesma linha.
Bateram na porta.
— Posso entrar? — era a voz de Ingrid.
— Pode.
A enfermeira entrou com o tablet na mão e o crachá pendurado no bolso do jaleco.
— Pressão já desceu, mas não está perfeita. E eu ouvi o telejornal no corredor. Se você ligou aquela TV de novo, eu mesma tomo o controle remoto.
— Não liguei — Camila respondeu. — Mas as notícias encontram a gente mesmo com a TV desligada.
Ingrid sentou na poltrona, sem cerimônia.
— O Nicolás me contou da denúncia com seu nome. Quer saber a minha opinião médica?
— Opinião médica sobre a polícia?
— Sobre estresse. Isso aqui — apontou para a barriga — não pode ser criado no meio de pânico o dia todo. Você quer acompanhar tudo, eu entendo, mas precisa escolher o que entra e o que fica do l