Rafael vestiu a camisa branca com o cabelo ainda úmido, a gravata apertada demais. Parecia pronto para a guerra, não para uma reunião.
Camila, recostada na cama, observava cada movimento.
— Volta hoje?
— Volto. Nem que seja de madrugada.
— E se inventarem outra denúncia?
— Então eu invento uma resposta pior. — Ele tocou a barriga dela. — Fica aqui, com Ingrid e os seguranças.
— Só saio deste quarto se a casa pegar fogo.
— Se pegar, alguém te tira antes de mim.
Ela riu, o puxou pelo colarinho e o beijou.
— Vai. E volta falando.
— Prometo.
Minutos depois, o som da caminhonete ecoou estrada abaixo. Ingrid entrou com o aparelho de pressão.
— Nem adianta fingir que está tudo bem.
— Já sou um laboratório ambulante — Camila brincou.
— Um laboratório que precisa chegar inteiro até o parto — respondeu a enfermeira.
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Em Guadalajara, o prédio do conselho tinha ar de banco antigo. Mármore, vidro e silêncio. Nicolás seguia um passo atrás de Rafael, segurando uma pasta.
— Esteban está na sala do