Rafael saiu cedo com o terno escuro, a gravata firme e o rosto travado. Nicolás o esperava na porta com o celular em uma mão e uma pasta na outra. A caminhonete desceu a estrada no meio dos agaves e Camila ficou na janela até o carro sumir.
Ingrid entrou logo depois com uma bandeja.
— Ele nem tomou café.
— Rafael se alimenta de raiva e adrenalina — Camila tentou brincar.
— Então está em perigo faz tempo — Ingrid resmungou. — Come. O menino precisa.
Camila obedeceu, mas o apetite era pouco. Ligou a televisão. O noticiário mostrava a manchete: “Segunda grávida assassinada em Jalisco”.
— Chega de desgraça — Ingrid cortou, tomando o controle.
Camila desligou. A fita amarela em volta do corpo ficou presa na cabeça.
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Na delegacia, Rafael atravessou o corredor até a sala reservada. O delegado o esperava com pastas abertas.
— Senhor Villalba, agradeço por ter vindo.
O delegado abriu uma foto.
— As duas vítimas trabalhavam em empresas ligadas à cadeia de bebidas. Mesma região, perfil pareci