Rafael acordou antes da luz, com o corpo ainda preso ao velho instinto de dia importante. Em qualquer outro momento, já estaria de pé pensando em hotel, conselheiros, advogado de Arturo. A imagem de Camila no chão do banheiro, pálida, com a pressão caindo, atravessou a memória e cortou o impulso.
Virou a cabeça. Ela dormia de lado, a barriga apoiada em travesseiros, a respiração cansada, porém regular. O menino mexia em intervalos tranquilos. Rafael ficou alguns segundos observando, depois levantou devagar, vestiu calça escura, camisa sem gravata, nada que lembrasse assembleia.
Na copa, encontrou Nicolás com café pela metade e o blazer pendurado na cadeira. O amigo lia mensagens no celular, o rosto rígido.
— Última chamada para se arrepender — disse. — Se quiser, mando o motorista voltar.
Rafael serviu café, sem levar a xícara à boca.
— Você vai — respondeu. — Ouve tudo, observa quem está do lado de quem, registra o que puder. Se precisarem me ver, me ligam. Eu não saio da Hacienda ho