Camila estava apoiada nos travesseiros, a bandeja do jantar já encostada na mesinha, quando ouviu passos mais pesados no corredor. Não eram de funcionário.
— É o Nicolás — Rafael disse, sem tirar os olhos do celular. — Só ele pisa como se estivesse marchando.
A batida veio em seguida.
— Entra — Rafael autorizou.
Nicolás entrou com a gravata afrouxada, o blazer na mão e cara de quem tinha brigado com meia dúzia de pessoas educadamente.
— Posso falar na frente dela? — perguntou.
— Se não falar, eu expulso os dois — Camila respondeu. — Senta e começa.
Ele puxou a poltrona para perto da cama.
— O hotel estava cheio. Metade do conselho, advogado do Arturo, assessor de imagem, esses parasitas de sempre.
— Arturo foi? — Rafael quis saber.
— Chegou sorrindo, abraçando todo mundo. Na primeira fala, soltou: “Lamentamos a ausência do Rafael, sabemos que ele vive momento pessoal delicado”. A sala inteira entendeu: “ele está instável”.
Camila fez uma careta.
— Que conveniente.
— Depois vieram as e