O dia foi escorrendo mais devagar depois daquela decisão. Ingrid voltou algumas vezes, checou a pressão, monitorou as contrações, anotou tudo com a precisão de quem sabia que qualquer sinal fora do padrão poderia mudar o rumo das próximas horas. À medida que a tarde avançava, o corpo de Camila reagia melhor: as ondas de contração se tornaram menos frequentes, a tontura diminuiu, o menino mantinha um ritmo de movimentos que acalmava.
Camila dormiu em pedaços, acordando e voltando a cochilar como se a mente não quisesse desligar de vez. Cada vez que abria os olhos, via Rafael na mesma poltrona, o notebook fechado no colo, o celular na mesa de cabeceira, o olhar preso nela em vez de em qualquer tela. Quando Ingrid voltou no início da noite, encontrou o quarto com a luz baixa e um silêncio espesso que não tinha nada de hospitalar, era o silêncio de quem está segurando a própria vida com as duas mãos.
Depois de nova rodada de exames, a médica guardou o estetoscópio e respirou um pouco mais