CALEB
O barulho da cerca rangendo sempre me ajudou a pensar.
Tem gente que precisa de silêncio. Eu sempre precisei de som — o som do campo, do gado, do vento empurrando as folhas secas no chão. Era o tipo de ruído que fazia sentido.
Mas naquela manhã, nada fazia muito sentido.
Fiquei ali, com a chave inglesa na mão, tentando fingir que me concentrava no arame frouxo, quando na verdade minha cabeça ainda estava presa na cozinha da casa dela.
Naquela frase.
“Voltei porque não tinha mais pra onde