Mundo de ficçãoIniciar sessãoAo cair do véu da noiva sobre as pedras imponentes da cachoeira charmosa , existe uma pequena ponte que dá acesso a cabana onde Cecília e Eduardo viviam a maior parte do tempo desde quando se casaram .a jovem sofre pela perda de Eduardo , se afogando em uma tristeza profunda, mas mau sabe o que viria depois da tempestade.
Ler maisO Confronto e a Tempestade
Quando o automóvel preto de Simon cortou a estrada de terra batida da propriedade, o céu já se vestia com os tons ameaçadores de uma tempestade iminente. Ao ser recebido pelos criados apreensivos na mansão, Simon mal ouviu as cortesias antes de exigir que o levassem até a cabana. — Ela se recusa a sair de lá, Dr. Simon — explicou a governanta, com as mãos trêmulas. — A tempestade que se aproxima vai fazer o rio transbordar. A cabana corre perigo. Sem hesitar, Simon caminhou a passos largos pela trilha da floresta. Ao abrir a porta rústica da cabana — o refúgio que Eduardo mandara construir para que Cecília pintasse longe da sufocante aristocracia dos Castilho Mendonza —, deparou-se com a jovem diante de um cavalete. Ela parecia uma aparição: pálida, com os cabelos castanhos soltos sobre os ombros e os olhos perdidos em uma tela de tons cinzentos. — Cecília — a voz de Simon ecoou, firme e imperiosa. — Arrume suas coisas. Você vai voltar para a mansão comigo. Agora. Ela sequer se virou para encará-lo de imediato. Apenas pincelou mais uma sombra na tela. — Não vou a lugar nenhum, Simon. Este é o meu lugar. O único que me restou. — Não seja tola. O rio está subindo rapidamente. Uma tempestade de grandes proporções está prestes a desabar sobre nós. Você vai morrer afogada se insistir nessa teimosia mórbida . — Então que o rio me leve — sussurrou ela, com uma resignação que gelou o sangue do advogado. Na cabeça de Cecília, se aquele vale cobrisse o santuário onde ela e Eduardo haviam vivido seus últimos meses, seria um fim poético. Simon, acostumado a impor sua vontade nos tribunais e na vida pública, perdeu a paciência. Ele deu dois passos largos, tomou o pincel de suas mãos e, antes que ela pudesse protestar, ergueu-a nos braços de forma abrupta. — Me solte! Como você ousa? — Cecília debateu-se, golpeando o peito largo do tio de seu falecido marido. Simon ignorou seus protestos, saindo da cabana sob os primeiros pingos pesados da chuva. Ele caminhou apressadamente em direção à ponte que cruzava o rio, mas o avanço foi lento demais. O estrondo das águas que desciam da cachoeira era ensurdecedor. Antes que pudessem alcançar a outra margem, uma torrente violenta invadiu o caminho de pedras, cobrindo seus joelhos. Assustada e lutando por sua independência, Cecília debateu-se com mais força, conseguindo desvencilhar-se do aperto dele. Ao tocar o chão escorregadio, ela tentou correr de volta para a segurança da cabana. Porém, o pé direito cedeu em uma rocha lodosa. Cecília perdeu o equilíbrio e caiu, batendo a cabeça contra um tronco caído. A escuridão a acolheu antes que ela pudesse sentir a água fria que começava a subir. Quando a consciência de Cecília retornou lentamente, o som rítmico da chuva batendo contra as vidraças da cabana foi a primeira coisa que ela percebeu. Ela estava deitada no sofá rústico de veludo — o mesmo sofá onde, meses atrás, ela segurara a mão de Eduardo até o último suspiro dele. Ela estava coberta por uma manta de lã grossa e sentia uma dor latejante na têmpora. — O que... o que aconteceu? — murmurou, tentando se sentar. Próximo à lareira acesa, Simon lutava para acender uma vela com fósforos úmidos. Suas roupas estavam completamente encharçadas, coladas ao corpo atlético de trinta e oito anos, e ele tremia levemente de frio. Cecília observou o desconforto dele. Apesar da raiva que ainda sentia pela audácia de Simon, a decência — e um pânico involuntário — falou mais alto. — No armário do quarto... ainda há algumas roupas de Eduardo. Ele costumava deixar casacos e calças de montaria aqui. Vá se trocar antes que pegue uma pneumonia. — A última palavra saiu pesada, como um gatilho. Foi uma pneumonia crônica, afinal, iniciada após uma cavalgada sob o inverno rigoroso e úmido da serra, que levara Eduardo dela. Ela não suportaria ver aquela história se repetir. Simon hesitou por um segundo, mas a temperatura despencava rapidamente. Ele assentiu e retirou-se para o pequeno quarto adjacente. Minutos depois, retornou vestindo uma calça de lã escura e uma camisa de flanela verde-oliva que pertencera ao sobrinho. Embora Simon fosse ligeiramente mais largo nos ombros, as roupas serviram. Ver o homem mais velho naquelas vestes trouxe um aperto doloroso ao peito de Cecília. A imagem arranhou a lembrança dos dias felizes de 1947, quando conhecera Eduardo em uma galeria de arte em Porto Alegre, antes de toda a tragédia médica se abater sobre eles. A raiva voltou a acender em seus olhos. — Como você ousa fazer isso comigo? — ela questionou, a voz trêmula de indignação. — Invadir meu espaço, me carregar como se eu fosse um fardo, um objeto sem vontade própria? Simon sentou-se na cadeira de balanço diante da lareira, cruzando os braços. Seu olhar era cansado, desprovido da arrogância que demonstrara horas antes. — Eu fiz o que precisava ser feito para salvar sua vida, Cecília. E veja onde estamos agora: presos por causa da sua teimosia implacável. Você prefere morrer abraçada ao fantasma do meu sobrinho a enfrentar a realidade. — Você não sabe nada sobre mim! E nunca entenderá o que sinto — retrucou ela, com lágrimas quentes queimando seus olhos. — Você é um homem frio, Simon. Feito de leis, papéis e aparências. Veio da capital até Águas Claras apenas para inventariar os bens que Eduardo me deixou. Você nunca amou ninguém na vida para saber o que é perder a própria alma. Um silêncio pesado instalou-se na cabana, quebrado apenas pelo estalar da lenha na lareira. Simon fixou os olhos nas chamas, e uma expressão de profunda melancolia, inédita para Cecília, suavizou suas feições severas. — Eu fui casado por dez anos, Cecília — disse ele, a voz baixa e pausada. Cecília piscou, surpresa. A família Castilho Mendonza raramente falava sobre o passado pessoal de Simon na capital. — Dez anos — repetiu ele. — Mas o amor... o amor que você tanto exalta durou apenas cinco. E não da forma como você imagina. Minha esposa era uma mulher extraordinária, mas descobrimos, com o tempo, que ela não nutria qualquer interesse físico ou romântico por homens. O casamento, para ela, era uma fachada social imposta pela família. Cecília prendeu a respiração. Na década de 1940, tal revelação era um escândalo indizível. — E o que você fez? — ela perguntou, a voz agora reduzida a um sussurro. — Nós conversamos. E, em vez de nos destruirmos em rancor, nos tornamos melhores amigos. Vivemos sob o mesmo teto como confidentes, protegendo um ao outro da hipocrisia do mundo, até que ela faleceu de tuberculose há dois anos. Cecília estremeceu na cama. Tuberculose. O mesmo tipo de sofrimento respiratório, o mesmo peito cansado e a mesma agonia lenta que ela testemunhara em Eduardo. — Então — continuou Simon, olhando-a nos olhos —, não me diga que não conheço a perda, ou que não sei o que é amar alguém o suficiente para abrir mão do próprio egoísmo. Cecília olhou para ele, sentindo a barreira invisível que criara contra Simon começar a desmoronar. Sob a armadura do advogado implacável, havia um homem que também conhecia o som de um pulmão falhando e o peso da solidão. IV. O Delírio e o Amanhecer O cansaço e o trauma da queda finalmente cobraram seu preço. Cecília adormeceu sob o olhar atento de Simon. Mas, no meio da noite, o silêncio da cabana foi interrompido por seus gemidos inquietos. Simon, que cochilava no chão próximo à lareira, acordou sobressaltado. Aproximou-se do sofá e tocou a testa de Cecília. Ela estava queimando em febre. — Eduardo... não vá... por favor... — ela delirava, virando a cabeça de um lado para o outro, revivendo as semanas em que cuidara do marido doente naquele mesmo cômodo, com o suor colando os fios de cabelo à sua testa. Preocupado, Simon correu até a cozinha, pegou uma bacia com a água fria da chuva que coletara e alguns panos limpos. Ele sentou-se no chão, ao lado do sofá, e começou a aplicar compressas úmidas na testa e no pescoço dela. Enquanto cuidava dela com uma delicadeza que surpreenderia qualquer um que o conhecesse nos tribunais, Simon não pôde deixar de admirar os traços delicados da jovem viúva. Havia uma força trágica nela, uma beleza que brilhava mesmo em meio à dor. De repente, a mão de Cecília disparou e segurou a dele com uma força surpreendente. Seus olhos febris se abriram ligeiramente, mas não viam Simon. — Eduardo... é você? Você voltou... prometa que não vai me deixar de novo. Eu não aguento mais... Simon sentou-se imóvel, sentindo um aperto estranho no peito. Ele olhou para a mão dela, tão pequena contra a sua, e depois para os olhos implorantes de Cecília. Sabendo que desmenti-la naquele estado de fragilidade seria cruel, e reconhecendo ali a mesma dor que ele próprio carregara, ele apertou os dedos dela com suavidade. — Eu estou aqui — sussurrou ele, a voz carregada de uma ternura inesperada. — Não vou a lugar nenhum, Cecília. Eu prometo. Aos poucos, a respiração dela foi se acalmando, e ela adormeceu novamente, ainda segurando a mão dele com firmeza. Simon não se moveu pelo resto da noite, vigiando seu sono com o peso das roupas do sobrinho sobre o corpo, até que as primeiras luzes cinzentas da manhã começassem a filtrar pelas frestas da janela. V. Partidas Silenciosas Ao amanhecer, a chuva havia cessado, deixando apenas o gotejar constante das árvores e o murmúrio do rio, que começava a baixar. Simon desvencilhou-se gentilmente do aperto de Cecília, que agora dormia um sono tranquilo e sem febre. Sabendo que precisava agir, ele caminhou até a margem do rio. Do outro lado, avistou os empregados da mansão que patrulhavam a área com ansiedade. Simon gritou e fez sinais, instruindo-os a buscarem cordas e ajuda na cidade vizinha. Algumas horas depois, uma equipe de resgate improvisada conseguiu atravessar uma balsa segura, retirando Cecília e Simon da cabana isolada. De volta à mansão, Cecília foi imediatamente instalada em seus antigos aposentos. O médico da família foi chamado e, após examiná-la, saiu do quarto com um semblante aliviado. Encontrou Simon no corredor, que aguardava com os braços cruzados, ostentando novamente sua postura impecável. — Ela ficará bem, Dr. Simon — diagnosticou o médico. — A febre cedeu. Foi apenas o choque térmico e físico da queda. Ela precisa apenas de descanso e boa alimentação nos próximos dias. Simon assentiu, sentindo um peso invisível ser retirado de seus ombros. Ele entrou silenciosamente no quarto de Cecília. Ela ainda dormia, a expressão finalmente serena. Ele aproximou-se da cama, observou-a por um longo minuto e depois virou-se para a governanta que aguardava à porta. — Fiquem de olho nela. Não a deixem voltar para aquela cabana até que o tempo esteja completamente firme. Cuidem para que ela coma direito. No dia seguinte, a luz do sol de inverno banhava o quarto quando Cecília finalmente acordou. Sentia-se fraca, mas a febre havia desaparecido por completo e sua mente estava límpida. Lembrou-se de flashes da noite anterior: a conversa sobre o casamento de Simon, o frio, a revelação sobre a doença da esposa dele, o calor de uma mão que a segurava no escuro e a promessa sussurrada... Ela levantou-se lentamente e caminhou até a grande janela que dava para a entrada da mansão. Lá embaixo, o automóvel preto de Simon estava estacionado, com as malas sendo colocadas no porta-malas pelo motorista. Ele estava de partida para a capital. Um pânico súbito e inexplicável apertou o peito de Cecília. Sem pensar nas aparências ou em sua fraqueza física, ela correu pelo corredor, desceu a grande escadaria de mármore e atravessou as portas duplas da mansão, saindo para o pátio ensolarado. — Simon! — ela chamou, a voz um pouco falha. Simon, que estava prestes a entrar no carro, parou e virou-se. Ele a observou descer os degraus, vestida apenas com uma camisola de algodão branca e um xale de lã sobre os ombros. Seus olhos se cruzaram. — Você já vai embora? — perguntou ela, parando a poucos passos dele. — Sim — respondeu ele, com seu tom formal de sempre, embora houvesse uma suavidade contida em seu olhar. — Meus compromissos na capital não podem esperar. Os papéis do inventário estão em ordem. E você já está fora de perigo. Cecília olhou para o chão, sentindo o vento frio da manhã arrepiar sua pele. Havia algo no fundo de sua alma — um impulso novo, confuso e assustador — que queria implorar para que ele ficasse. Ela não queria voltar à solidão daquela mansão sem a presença forte, complexa e surpreendentemente compreensiva dele. Mas o orgulho e o respeito à memória de Eduardo a calaram. — Entendo — murmurou ela, erguendo os olhos para encará-lo. — Obrigada... por ter me salvado. Simon esboçou o que quase parecia um sorriso compreensivo. — Cuide-se, Cecília. Espero que encontre paz nas suas telas. Ele entrou no automóvel e a porta se fechou com um som seco. Cecília permaneceu imóvel no pátio enquanto o carro se afastava pela estrada de terra, levantando uma leve poeira dourada contra a luz da manhã. Ela sabia, com uma certeza silenciosa, que sua vida — e o luto que antes a sufocava — nunca mais seriam os mesmos.O sol mal começava a tocar as janelas do quarto quando Cecília acordou, com a mente ainda envolta na lembrança constrangedora da noite anterior. Sentou-se na cama, esfregando os olhos e se perguntando se tinha sonhado — ou se realmente invadira, por engano, o quarto de Otávio Bianco… e o flagrado completamente nu. — Não, definitivamente não foi um sonho — murmurou, corando ao lembrar da cena e do olhar surpreendentemente calmo dele. Após um banho rápido e um café simples que ela mesma preparou na cozinha — já que a funcionária ainda não havia chegado —, Cecília sentou-se no sofá da sala, ajeitando a alça da bolsa no ombro. A volta para sua cidade a esperava, e com ela, a urgência de resolver o caso de Elionor e tirar Simon da prisão. Otávio apareceu logo depois, com uma camisa social dobrada até os cotovelos e os cabelos ainda úmidos do banho. Estava mais sério do que de costume, mas ainda assim, com aquele charme quase casual que o tornava irresistível. — Dormiu bem? — ele per
Um ambiente aconchegante e de muito bom gosto , demonstra o quanto Otávio é organizado , apesar de viver uma vida de solteiro . Cecília adentra a casa , o espaço com luzes em tom amarelado , transmitia conforto ao local . A jovem meio deslocada é acolhida por bianco . —imagino que esteja cansada , realmente o dia foi bem exaustivo. E também deve estar com fome , minha funcionaria sempre deixa algo pronto . —fala , enquanto abre a geladeira da cozinha . Otávio prepara a mesa , os dois se sentam.—vinho português, safra do ano . Espero que goste . -Otávio põe sobre a mesa a garrafa de vinho e duas taças de cristal . — muito obrigada pela gentileza , mas eu não sou de beber , a última vez que bebi não queira nem saber o que aconteceu. -o diz , gesticulando com as mãos . Ela percebe que poderia aceitar , pois estaria fazendo uma desfeita .—tudo bem . Eu aceito apenas uma taça, para acompanhar você. — sorri de canto .—Então, Cecília, além de ser professora e uma inves
Com a chave do apartamento 510 em mãos, eu e Cecília subimos os degraus até o sexto andar, meu coração acelerado pela expectativa do que poderíamos encontrar. Ao chegarmos na porta do apartamento, Cecília hesitou por um momento, mas com um gesto suave de encorajamento, usei a chave na fechadura e a porta se abriu com um rangido suave. O ambiente era pequeno, mas aconchegante. As paredes eram pintadas de um tom creme, que havia desbotado levemente com o tempo, e uma luz suave filtrava-se pelas persianas baixadas, criando um clima melancólico e ao mesmo tempo nostálgico. O primeiro cômodo que avistei era a sala de estar, que se integrava à cozinha. Um sofá de tecido azul escuro estava posicionado contra a parede, um pouco desgastado, mas ainda acolhedor. Ao lado, uma mesa de centro em madeira clara abrigava algumas revistas e um copo com água, o que sugeria que Elionor tinha o hábito de convidar visita, talvez amigos ou conhecidos. Cecília passou pelos móveis com um olhar atento.
OTÁVIO BIANCO Ascendo um cigarro e continuo a olhar alguns papéis que precisava analisar até o fim da tarde , escuto um pigarreio e noto que me esquecera da presença da moça que minha secretária trouxe até minha sala, me viro para me desculpar pela indelicadeza da minha parte , mas quase não consigo falar . Era a moça mais linda que já vira até agora , bom… apesar de já ter visto dezenas de jovens lindas , mas nada se comparava com ela , não pude deixar de nota-la estatura mediana , Seus cabelos pretos descia até os ombros , Eram ondulados e sua pele em um tom claro , olhos azuis , lábios em um tom rosa , céus … sua roupa lhe caia tão bem . — como a secretária já deve ter dito , vim a pedido de Simon . Acho que o Sr pode me ajudar . Enquanto ela fala , fico meio desconcertado , tentando não demonstrar o meu desconcerto , a convido a se sentar . —o que a trouxe a capital , e como está o Simon ? — na verdade , receio que não muito bem . Ele foi preso acusado do homicídio





Último capítulo