Mundo de ficçãoIniciar sessãoO silêncio da noite foi meu único companheiro. Quando o sol começou a se infiltrar pelas frestas das janelas cobertas de poeira, percebi que as velas haviam se consumido quase até o fim, algumas deixando pequenos lagos de parafina endurecida nos pires improvisados.
Despertei encolhido na poltrona, com o corpo dolorido e a garganta seca. Os documentos estavam espalhados pela mesa à minha frente, em um caos que só aumentava o peso no meu peito. Por um instante, achei que talvez tudo não passasse de mais um devaneio da minha mente cansada, mas a carta da minha mãe estava ali, intacta sobre as pastas. Real, impossível de negar.Levantando-me devagar, senti cada músculo protestando pela posição desconfortável em que dormi. A luz do sol começava a iluminar melhor a sala, revelando cada detalhe que a noite escondia: o pó acumulado em cada canto, os lençóis cobrindo móveis que um dia foram o coração da nossa família, teias de aranha esticadas como cicatrizes nas paredes.






