Sebastian Viccari
O vento a trezentos metros de altura não é apenas ar em movimento; é uma força que tenta te arrancar do chão, que te lembra, a cada segundo, da sua própria mortalidade.
Eu estava parado na borda da viga principal da Torre Viccari, sentindo o aço vibrar sob meus pés, quando ouvi o som metálico do elevador de carga parando.
Eu não precisei olhar para trás para saber que era ela. O ar mudou. A eletricidade que Aurora Moretti carrega consigo é capaz de acender uma cidade inteira.
— Você veio — eu disse, sem me virar, deixando que o horizonte de São Paulo servisse de pano de fundo para a minha voz. — Achei que a Dra. Moretti fosse mais prudente.
— Você não sabe nada sobre a minha prudência, Sebastian — a voz dela veio carregada de um gelo que nem o vento da noite conseguia igualar. — Eu vim para te dizer que as flores foram um erro. Entrar no meu apartamento foi um crime. E achar que pode me convocar como se eu fosse uma de suas empregadas é um delírio.
Virei-me de