Por Aurora Moretti
Eu estava tentando, sem sucesso, aplicar um corretivo na marca roxa que Sebastian Viccari deixou na curva do meu pescoço.
Aquela noite na torre de aço tinha sido um erro monumental, uma explosão de insanidade que eu ainda sentia vibrar em cada fibra do meu corpo. O silêncio do meu apartamento era o meu único aliado, até que a campainha tocou com uma insistência rítmica que só podia pertencer a uma pessoa.
— Ah, não. Hoje não — resmunguei, puxando a gola do meu roupão de seda para cima.
Abri a porta e lá estava ele: Sérgio Moretti. O meu irmão do meio, o "eterno adolescente" que papai teimava em colocar no departamento financeiro só para ele não gastar o orçamento da família em festas em Ibiza.
Ele segurava uma caixa de pizza em uma mão e um tablet na outra, com aquele sorriso de lado que sempre precedia uma catástrofe.
— "Toc-toc", maninha! O serviço de entrega de fofocas e carboidratos chegou — ele entrou sem ser convidado, chutando os sapatos para o lado. —