Aurora Moretti
O silêncio do meu apartamento em São Paulo era um contraste gritante com o barulho da licitação que ainda ecoava na minha mente. Eu estava exausta. Joguei minha bolsa de grife sobre o balcão da cozinha e respirei fundo, tentando me convencer de que a "Dra. Moretti" estava no controle. Mas quem eu queria enganar? A "Dra. Moretti" não teria se deixado tocar sob uma mesa de conferência pelo maior inimigo do pai.
Eu tinha decidido. Não iria ao encontro. Sebastian Viccari era um vício que eu precisava cortar antes que se tornasse uma overdose. Ele era perigoso demais, e a nossa "sociedade" empresarial já era complicação suficiente para uma vida inteira.
— Chega, Aurora — murmurei para mim mesma, caminhando em direção ao quarto para um banho gelado. — Esquece o Sebastian. Esquece o hotel. Foca na obra.
Foi então que eu as vi.
Sobre a mesa da sala, onde antes não havia nada, repousava um arranjo monumental de orquídeas negras e rosas de um vermelho tão profundo que pareci