Capítulo 04- Bernardo

Hoje faz dois meses que voltei para o meu país.

Confesso que estava com muita saudade… do clima, das pessoas e, principalmente, da minha família. Estar perto deles novamente é algo que não tem preço.

Mas nem tudo são flores.

Desde que voltei, minha ex não me deixa em paz. Já apareceu várias vezes na empresa, causando cenas. Cheguei ao ponto de proibir a entrada dela. Mesmo assim… ela não desiste.

Hoje decidi espairecer.

Vou encontrar dois amigos que não vejo há muito tempo. Vamos almoçar juntos em um restaurante que costumávamos frequentar antes de eu me mudar para Londres.

Eles nunca mudam… continuam com a mesma ideia de sempre: balada, diversão e nada de compromisso.

E, sinceramente? Talvez seja exatamente disso que eu preciso agora.

Quando cheguei ao restaurante, eles já estavam no bar, rindo alto como sempre. O maître me levou até a mesa, e logo começamos a conversar.

— E aí, contem as novidades — falei, me acomodando na cadeira. — Ainda estão pegando muita mulher?

Guilherme riu.

— Uma mais gostosa que a outra. E você? Quando vai voltar para a vida real e aparecer nas baladas com a gente?

Théo entrou na conversa:

— Pois é, cara. Tá cheio de mulher bonita por aí. Inclusive… semana que vem vai ter um baile beneficente da empresa. Você recebeu o convite?

— Recebi — respondi, pegando o cardápio. — E já confirmei presença.

A conversa seguiu leve, cheia de lembranças dos velhos tempos… até que algo — ou melhor, alguém — chamou minha atenção.

Uma mulher entrou no restaurante.

Morena. Linda. De presença marcante.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Guilherme já estava chamando ela até a nossa mesa. Ela se aproximou, um pouco tímida… e então eu percebi.

Não podia ser.

— Lembra da Dandara, Bernardo? — Guilherme disse, sorrindo.

Eu a encarei por alguns segundos, tentando encaixar aquela mulher na minha memória.

— Lembro… — falei, ainda surpreso. — Mas, quando fui embora, era uma baixinha cheia de espinhas e aparelho… Agora…

Balancei a cabeça, soltando um leve sorriso.

— Agora virou uma mulher linda.

Ela sorriu, um pouco sem graça.

— Olá, Bernardo. Que bom te ver de volta… Pois é, o tempo passou. E… eu estou casada e grávida do meu primeiro filho.

Aquilo me pegou de surpresa.

Casada. E grávida.

Por algum motivo, senti algo estranho no peito… algo que não soube explicar.

Théo, como sempre sem filtro, comentou:

— Falando nisso… cadê o traste do seu marido?

Ela franziu o cenho, claramente incomodada.

— Não fala assim do Heitor, Théo. Ele é uma boa pessoa. Só foi estacionar o carro… já deve estar chegando.

E, como se tivesse sido chamado, ele apareceu.

— Ora, ora… se não são meus cunhadinhos queridos.

O tom dele era irônico. Forçado.

Não gostei dele no mesmo instante.

Os dois se cumprimentaram sem muita empolgação, e logo ele se sentou ao lado de Dandara.

Observei os dois discretamente.

Algo… não parecia certo.

Mas preferi não me meter.

O almoço seguiu entre conversas e risadas, mas minha atenção, de vez em quando, voltava para ela.

Dandara.

Definitivamente… ela não era mais a mesma.

E, de alguma forma, eu sentia que aquela história ainda não tinha terminado.

Antes de irmos embora, combinamos de sair à noite.

Uma balada.

Talvez fosse exatamente o que eu precisava…

Ou talvez…

fosse só o começo de algo que eu ainda não entendia.

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