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Capítulo 03- O Tempo passando

Dandara

Faz dois meses desde que eu decidi dar mais uma chance a Heitor… e ao nosso casamento.

Dois meses tentando acreditar que tudo podia ser diferente.

E, de certa forma… parecia ser.

Ele estava mais calmo. Mais paciente. A terapia parecia estar ajudando. As crises de ciúmes tinham diminuído, e os dias estavam seguindo com uma tranquilidade que eu já não reconhecia mais.

Mesmo assim…

Eu ainda não conseguia me entregar completamente.

Não conseguia ter uma relação com ele.

Meu corpo lembrava… mesmo quando minha mente tentava esquecer.

Minha família apareceu de surpresa em casa.

Eu não tinha ido trabalhar a semana inteira, e isso já tinha sido suficiente para despertar desconfiança.

Quando abri a porta e vi todos ali…

Meu coração disparou.

Minha mãe. Meu pai. Meus irmãos.

E então… os olhares.

Quando viram meu rosto, ainda marcado, ainda sensível…

Tudo mudou.

Meus irmãos ficaram tensos na mesma hora.

O olhar deles… cheio de raiva.

Proteção.

— Quem fez isso com você? — um deles perguntou, a voz já carregada.

Eu entrei na frente, rapidamente.

— Eu caí da escada — falei, quase automático. — Já tá tudo bem, sério… não quis falar nada porque não queria preocupar vocês.

Mentira.

Mais uma.

Minha mãe se aproximou, me abraçando forte.

Passou a mão no meu cabelo, com aquele carinho de quando eu era criança.

E, por um momento…

Eu quis contar tudo.

Quis desabar ali.

Mas não consegui.

Eles não acreditaram totalmente.

Eu vi nos olhos deles.

Mas aceitaram… porque eu pedi.

E, no fundo, porque ainda não sabiam o tamanho da verdade.

Graças a Deus, Heitor não estava em casa naquele momento.

Se estivesse…

Eu não sei o que teria acontecido.

Hoje acordei diferente.

O corpo estranho.

Pesado.

Havia semanas que eu vinha sentindo aquilo — sono excessivo, cansaço constante… e as náuseas.

Uma suspeita vinha crescendo dentro de mim.

E, hoje, eu ia confirmar.

Já tinha marcado consulta com minha ginecologista.

Meu coração estava acelerado só de pensar.

Se fosse verdade…

Heitor ficaria feliz.

Era o nosso sonho.

Cheguei à clínica, fiz a ficha e me sentei para esperar.

Não demorou muito para me chamarem.

Dentro do consultório, a médica me olhou com atenção.

— Consulta de rotina ou tem algum motivo específico?

Respirei fundo antes de responder.

Expliquei tudo que vinha sentindo nas últimas semanas.

Ela assentiu.

— Vamos fazer um exame de sangue… e depois uma ultrassonografia para confirmar.

Meu coração começou a bater ainda mais rápido.

Fui até o laboratório da clínica, colhi o sangue… e voltei para a recepção.

A espera parecia interminável.

Mesmo sendo apenas trinta minutos.

Quando meu nome foi chamado novamente, minhas mãos já estavam geladas.

Entrei.

A médica estava com o resultado em mãos.

Olhou para mim… e sorriu.

— Positivo.

Por um segundo…

Eu parei de respirar.

Um calor tomou conta do meu peito.

Um sorriso surgiu sem que eu percebesse.

Eu estava grávida.

Grávida.

A palavra ecoava na minha mente como um sonho se tornando real.

— Vamos confirmar o tempo de gestação — ela disse.

Troquei de roupa e deitei na maca.

O exame começou.

E então…

Na tela…

Uma pequena imagem.

Borrada.

Mas real.

Meu bebê.

Meu pedacinho.

— Você está com aproximadamente 8 semanas — a médica explicou.

Meus olhos se encheram de lágrimas.

Uma felicidade que eu não sabia explicar.

Algo puro.

Inocente.

Esperançoso.

Quando terminou, voltei à mesa. Ela me passou vitaminas, orientações, cuidados.

Mas, naquele momento…

Nada era maior do que o que eu sentia.

Ao sair da clínica, não fui direto para casa.

Fui ao shopping.

Queria fazer uma surpresa.

Algo especial.

Comprei tudo com o coração acelerado.

Ansiosa.

Feliz.

Esperançosa.

À noite, preparei tudo.

Apaguei as luzes.

Acendi velas.

Espalhei pétalas de rosa pelo chão, formando um caminho até o quarto.

No centro da cama, deixei uma caixinha.

Dentro dela… o exame.

E um pequeno macacão.

Com a frase:

“Papai, tô chegando.”

Quando Heitor chegou e viu…

Ele parou.

Leu.

E se emocionou.

— Dan… — a voz dele falhou. — Você tá me tornando o homem mais feliz do mundo… eu te amo muito.

Sorri, com os olhos marejados.

— E você fez o meu maior sonho se tornar realidade… — levei a mão até a barriga. — Um pedacinho da gente tá sendo gerado dentro de mim.

Ele me abraçou.

E, por um momento…

Tudo parecia perfeito.

Seguro.

Real.

Jantamos juntos.

Conversamos.

Rimos.

E, quando fomos para o quarto…

Eu senti.

O desejo.

Intenso.

Confuso.

Talvez pelos hormônios.

Talvez pela necessidade de sentir algo bom.

Mas Heitor hesitou.

— E o bebê? — ele disse, preocupado. — Tenho medo de machucar.

Suspirei, frustrada… mas entendi.

Sorri de leve.

— Tá tudo bem…

Mas meu corpo ainda estava inquieto.

Vivo.

Desperto.

Enquanto, dentro de mim…

Uma nova vida começava.

E, junto com ela…

Uma esperança.

Que eu ainda não sabia…

Se iria sobreviver.

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