Mundo ficciónIniciar sesiónA noite caiu rápido.
O tipo de noite perfeita para esquecer problemas… ou se perder neles. A balada estava lotada. Luzes piscando, música alta, corpos se movendo no ritmo envolvente. Era exatamente o tipo de lugar que eu costumava frequentar sem pensar duas vezes. Mas, dessa vez… algo estava diferente. Guilherme e Théo já estavam animados, cercados por mulheres, rindo, vivendo como sempre viveram. E eu? Eu estava com um copo na mão… mas minha mente não estava ali. Até que eu a vi. Dandara. Ela entrou na balada ao lado de Heitor. Mas… não era a mesma imagem do restaurante. Ela estava ainda mais linda. Usava um vestido que marcava suavemente seu corpo — agora com as curvas ainda mais delicadas pela gravidez. Seus cabelos caíam soltos pelos ombros, e seus olhos… aqueles olhos castanho-claros… pareciam carregar algo que eu não tinha percebido antes. Cansaço. Tristeza. E, ainda assim… ela brilhava. Nossos olhares se encontraram. Por um segundo… o mundo ao redor simplesmente desapareceu. Ela desviou primeiro. Heitor segurava sua mão com força — força demais. Aquilo me incomodou. Sem perceber, já estava andando na direção deles. — Veio mesmo — falei, parando próximo. Ela sorriu de leve. — Resolvi sair um pouco… Antes que pudesse continuar, Heitor interrompeu: — Claro, eu não ia deixar minha esposa sair sozinha, né? O tom dele era carregado. Possessivo. Ignorei. — Quer dançar? — perguntei, olhando diretamente para ela. Ela hesitou. Olhou para Heitor. E ali… eu vi. Medo. — Acho melhor não… — ela respondeu, baixa. Heitor deu um sorriso de canto. — Ela não dança com estranhos. Estranhos. Soltei um leve riso. — Engraçado… porque a gente se conhece há muito tempo. O clima pesou. Dandara ficou em silêncio. Mas, alguns minutos depois, enquanto Heitor se afastava para atender uma ligação, ela ficou sozinha. E dessa vez… fui até ela sem pedir permissão. — Você tá bem? — perguntei, mais sério. Ela demorou a responder. — Tô… Mas não estava. Era nítido. Aproximei um pouco mais. — Ele te trata bem? Ela me olhou, surpresa com a pergunta. — Bernardo… — Só responde. Silêncio. Os olhos dela se encheram de algo que ela tentou esconder. — Eu escolhi essa vida — disse, firme… mas com a voz levemente quebrada. Balancei a cabeça. — Isso não parece escolha. Ela desviou o olhar. A música mudou. Mais lenta. Mais intensa. Sem pensar muito, segurei sua mão. Ela não puxou de volta. E, por alguns segundos… ficamos ali. Perto demais. O suficiente para sentir a respiração dela. O suficiente para perceber que alguma coisa estava acontecendo… entre nós. Algo errado. Algo proibido. Algo que… nenhum dos dois estava preparado para enfrentar. — Você devia voltar pra ele — falei, mesmo sem querer. Ela assentiu, mas não se afastou imediatamente. Nossos olhos se prenderam mais uma vez. E, naquele momento… eu tive certeza de uma coisa. Aquela noite não era o fim. Era só o começo. Meus olhos se encontrou com os de Heitor e ali eu percebi que ele não a tratava como ela merecia.






