Capítulo 05- A noite

A noite caiu rápido.

O tipo de noite perfeita para esquecer problemas… ou se perder neles.

A balada estava lotada. Luzes piscando, música alta, corpos se movendo no ritmo envolvente. Era exatamente o tipo de lugar que eu costumava frequentar sem pensar duas vezes.

Mas, dessa vez… algo estava diferente.

Guilherme e Théo já estavam animados, cercados por mulheres, rindo, vivendo como sempre viveram.

E eu?

Eu estava com um copo na mão… mas minha mente não estava ali.

Até que eu a vi.

Dandara.

Ela entrou na balada ao lado de Heitor.

Mas… não era a mesma imagem do restaurante.

Ela estava ainda mais linda.

Usava um vestido que marcava suavemente seu corpo — agora com as curvas ainda mais delicadas pela gravidez. Seus cabelos caíam soltos pelos ombros, e seus olhos… aqueles olhos castanho-claros… pareciam carregar algo que eu não tinha percebido antes.

Cansaço.

Tristeza.

E, ainda assim… ela brilhava.

Nossos olhares se encontraram.

Por um segundo… o mundo ao redor simplesmente desapareceu.

Ela desviou primeiro.

Heitor segurava sua mão com força — força demais.

Aquilo me incomodou.

Sem perceber, já estava andando na direção deles.

— Veio mesmo — falei, parando próximo.

Ela sorriu de leve.

— Resolvi sair um pouco…

Antes que pudesse continuar, Heitor interrompeu:

— Claro, eu não ia deixar minha esposa sair sozinha, né?

O tom dele era carregado. Possessivo.

Ignorei.

— Quer dançar? — perguntei, olhando diretamente para ela.

Ela hesitou.

Olhou para Heitor.

E ali… eu vi.

Medo.

— Acho melhor não… — ela respondeu, baixa.

Heitor deu um sorriso de canto.

— Ela não dança com estranhos.

Estranhos.

Soltei um leve riso.

— Engraçado… porque a gente se conhece há muito tempo.

O clima pesou.

Dandara ficou em silêncio.

Mas, alguns minutos depois, enquanto Heitor se afastava para atender uma ligação, ela ficou sozinha.

E dessa vez… fui até ela sem pedir permissão.

— Você tá bem? — perguntei, mais sério.

Ela demorou a responder.

— Tô…

Mas não estava.

Era nítido.

Aproximei um pouco mais.

— Ele te trata bem?

Ela me olhou, surpresa com a pergunta.

— Bernardo…

— Só responde.

Silêncio.

Os olhos dela se encheram de algo que ela tentou esconder.

— Eu escolhi essa vida — disse, firme… mas com a voz levemente quebrada.

Balancei a cabeça.

— Isso não parece escolha.

Ela desviou o olhar.

A música mudou. Mais lenta. Mais intensa.

Sem pensar muito, segurei sua mão.

Ela não puxou de volta.

E, por alguns segundos… ficamos ali.

Perto demais.

O suficiente para sentir a respiração dela.

O suficiente para perceber que alguma coisa estava acontecendo… entre nós.

Algo errado.

Algo proibido.

Algo que… nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.

— Você devia voltar pra ele — falei, mesmo sem querer.

Ela assentiu, mas não se afastou imediatamente.

Nossos olhos se prenderam mais uma vez.

E, naquele momento…

eu tive certeza de uma coisa.

Aquela noite não era o fim.

Era só o começo.

Meus olhos se encontrou com os de Heitor e ali eu percebi que ele não a tratava como ela merecia.

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