Narrado Por Beatriz
Eu estava no transporte escolar quando começou de novo.
— Você é uma metida!
— Cala sua boca, Renata. Ou o pai dela vai matar você!
— Meu pai também é bandido, e eu não me faço de melhor que ninguém na favela por causa disso não.
— Deixa a Beatriz em paz, que droga!
Eu chorava em silêncio, sentada no banco duro do transporte. Sempre passava por isso. Estava cansada. Às vezes, tinha vontade de contar tudo para o Pablo ou para a Sophia. Nunca acreditei que fosse sofrer bullying por ser branca, ruiva, ter o corpo avantajado para os meus quinze anos.
Douglas, meu amigo e vizinho, sempre me defendia, mas eu via que ele também não estava aguentando mais. Ele devia estar louco para dar um soco naquela menina idiota. Mas os pais dele proibiram qualquer confusão na escola. Lembro direitinho do que diziam:
— Beatriz, você tem treinamento de defesa pessoal. Não é dessas Maria Fuzil de quebrada que ficam se estapeando e enfiando unha na cara da outra. Se você der uma voadora e