Mundo ficciónIniciar sesiónEla carrega na alma a paixão pela música clássica e as marcas de um passado familiar turbulento. Ele é um sheik poderoso, acostumado a ter o mundo e qualquer mulher aos seus pés. À primeira vista, seus universos não poderiam ser mais opostos. Porém, quando um encontro inesperado entrelaça seus destinos, a melodia que surge entre os dois desafia regras, atrai perigos e prova que o amor é a única coisa que o dinheiro e o poder não podem controlar.
Leer másHelena
Abro os olhos, mundo ainda gira. Minha cabeça pesa, dolorida. Ergo a cabeça devagar, tentando reconhecer onde estou, mas a escuridão é absoluta. Passo a mão pelo rosto, sentindo os dedos trêmulos. Sem firmeza nas pernas, tento me equilibrar, percebo que estou descalça. O chão é frio, úmido, há um leve gotejar em algum ponto do ambiente.
Toco meu próprio corpo, me dou conta de que o macacão de seda que eu usava na recepção do meu aniversário de dezoito anos desapareceu. Meus cabelos estão soltos e despenteados.
— Odeio lugares escuros — resmungo para o vazio.
Prendo o cabelo num coque firme, como minha mãe sempre faz quando precisa de foco, e vou tateando as paredes frias até encontrar a quina de uma mesa. Em cima dela, sinto o contorno metálico de uma luminária grande, mas não faço a menor ideia de como acendê-la.
Antes que eu possa procurar um interruptor, a porta se abre de golpe. A luz forte que invade o ambiente me cega por um instante. Instintivamente, cubro o rosto com o braço.
Uma mulher de meia-idade, vestindo um longo e vistoso vestido amarelo com bordados dourados, entra no recinto. Logo atrás dela, como sombras silenciosas, surge uma pilha de mulheres completamente cobertas. Elas usam tecidos brancos que envolvem todo o corpo e o rosto, deixando apenas os olhos à mostra. Estão tão caladas que parecem nem sequer respirar.
— Onde estou? — pergunto, com a voz falhando pelo sobressalto.
Ao me ouvirem falar, as mulheres cobertas dão um passo atrás, assustadas. Por acaso eu virei alguma assombração? Pergunto a mim mesma.
— Finalmente! — a mulher de amarelo exclama, abrindo os braços com entusiasmo, como se estivesse me esperando há um século.
A um comando silencioso, uma das criadas posiciona uma bacia grande no chão e outras duas despejam água quente dentro dela. Assim que terminam, todas se retiram em fila indiana, deixando apenas a primeira mulher a sós comigo.
Ela se aproxima sem pedir licença e segura meus ombros. Suas mãos são mornas, macias e incrivelmente lisas, mas o gesto é frio, como o de alguém que examina uma mercadoria.
— Hum... você me parece diferente das outras. Hum... Eu vou te chamar de Jasmine.
Olho fixamente nos olhos castanhos dela, trêmula de frio, enquanto o som monocórdico da goteira ecoa ao fundo.
— Me chamo Helena dos Santos Rodrigues Samartini. Filha de Juliana Rodrigues e Ricardo Samartini.
Falo trincando os dentes pelo gelo que corre na minha espinha. A mulher me encara com intensidade.
— Apesar de estar imunda, você é muito bonita, Helena. Vejo que ele vai ficar louco por você — diz ela, com um breve sorriso entusiasmado.
— Ele quem? Quem é ele? — pergunto imediatamente.
Em resposta, a mulher me gira de costas sem cerimônia e começa a desabotoar o vestido pesado que me vestiram.
— O meu senhor. Ele vai adorar você.
Ela abre o tecido e inspeciona minhas costas e nádegas, conferindo meu corpo como se avaliasse a qualidade de um animal de raça. Quando menos espero, sinto um tapa estalado em uma das minhas nádegas. Por sorte, a mão dela é pequena e leve, então o susto é maior que a dor.
— Nossa, você foi bastante abençoada! Que Alah te abençoe com muitos filhos.
Nego com a cabeça na hora. Ter filhos definitivamente não está nos meus planos. Sou profundamente grata à minha mãe por todos os sacrifícios que fez para nos manter vivos e bem após tantos problemas, mas não pretendo abrir mão da minha liberdade por ninguém. Não que eu ache a maternidade algo terrível, mas ter obrigações de família não é para mim. Entre a construção de uma família e a música, a música sempre virá em primeiro lugar.
— Que ele abençoe você! Eu não quero ter filhos — rebato.
A mulher se afasta de mim rapidamente, recolhendo as mãos como se estivessem queimando. O olhar que me lança é de puro repúdio.
— Não diga bobagens, garota. Agora vá para a água.
Ela aponta para a bacia. Entro sem resistir; a água está quente e deliciosa, um alívio imediato para o frio do calabouço.
— Isso é um sequestro? — arrisco, enquanto ela começa a passar algo gelatinoso e cheiroso nas minhas costas. — Meus pais podem pagar. Minha mãe tem dinheiro, meu pai também... até meu tio! Meu avô é um... é um embaixador!
A mulher solta uma risadinha debochada.
— Não se trata de um sequestro, Helena. Você irá morar aqui.
Viro o rosto para ela, o pavor finalmente rasgando minha compostura. Ninguém define a minha vida dessa forma. As lágrimas começam a descer quente pelo meu rosto. Não posso ficar longe da minha família; não imagino minha vida sem eles.
— Eu sei o número de telefone da minha mãe e de casa de cabeça! Se quiser, posso anotar — digo, me levantando da água em pânico.
Ela me empurra com firmeza pelos ombros para dentro da bacia novamente e diz algo ríspido em um idioma que não entendo.
— Aqui você não pode falar com sua família. Na verdade, não pode falar com ninguém. Pelo menos não por enquanto.
— Onde estamos? — insisto.
Ela se recusa a responder. Sei que não estamos mais no Brasil, nem no Chile, mas o paradeiro exato é um mistério.
Quando termina o banho, a mulher dá uma ordem em voz alta naquela língua estranha. A porta se abre no mesmo instante; as servas pareciam estar atrás da porta o tempo todo, escutando tudo. Uma delas traz um balde para recolher a água suja, enquanto outra me envolve rapidamente em uma toalha macia e uma terceira prepara a cama.
Veste-me com um vestido comprido e austero, muito parecido com as roupas que as beatas usavam na igreja onde minha avó Conça ia aos domingos. Em seguida, as servas saem e uma nova bandeja de inox prateada é trazida. Sento-me e como as frutas e os pãezinhos de formato estranho sob o olhar atento da mulher de amarelo.
Logo em seguida, a luz se apaga e sou deixada sozinha na escuridão novamente.
Passei a noite inteira em claro. No silêncio da casa, comecei a ouvir gritos abafados ecoando pelos corredores. Eram vozes de mulheres, vindas de diferentes direções, falando idiomas distintos. O máximo que consegui entender foi uma delas suplicando em inglês, entre gemidos altos: “More, please... more, Mr.”
Levantei da cama e comecei a andar em círculos na penumbra. Como nunca enxerguei bem no escuro, esbarrava nos móveis, tonta de medo e insônia. Fiquei me perguntando se aquelas mulheres estavam sendo atacadas por algum tipo de monstro ou vampiro. Pensei comigo mesma: se eu tivesse que enfrentar um vampiro poliglota, nós dois teríamos que resolver essa situação na porrada.
Nas duas semanas seguintes, tentei decifrar a rotina do lugar. Quando traziam comida durante o dia, eu fingia dormir; à noite, prestava atenção às vozes. Identifiquei duas mulheres falando inglês (uma com sotaque fluente e outra derivado), uma falando francês, além de ecos em espanhol e italiano. Havia um homem com elas, e todas o chamavam de "Senhor".
Quando finalmente comecei a me acostumar àquele cativeiro subterrâneo, a mulher de meia-idade voltou. Mas, dessa vez, ela me conduziu para fora do calabouço e me levou até um quarto no corpo principal da casa.
Era a minha nova prisão, embora infinitamente mais luxuosa. O espaço era decorado em tons de rosa e dourado, com uma cama imponente de madeira escura cujas colunas iam até o teto, sustentando um mosquiteiro de seda puríssima. O colchão era incrivelmente macio.
Toquei cada detalhe daquele lugar, ainda chocada com o contraste, e notei que a mulher me observava atentamente pelas minhas costas. Viro-me de repente, pegando-a no pulo.
— Quando eu vou sair daqui?
Ela me examina com uma curiosidade quase ardente.
— Você já esteve com ele, não esteve? Está apaixonada também, como as outras?
— O quê? Não! Eu nem conheço esse homem — respondo, com a voz rouca. — Nunca estive com ele e nunca vou estar.
Ao ouvir minha resposta, a mulher sorri abertamente, e o brilho em seus olhos reaparece.
— Tudo bem. É assim mesmo que eu quero.
Ela permanece no quarto enquanto as servas cobertas de branco começam a organizar dezenas de vestidos elegantes em cabides. Eram peças refinadas, nada comparadas aos trajes de beata do calabouço.
— Eu quero que você seja a melhor! — a mulher fala alto, encarando-me de frente. — Você tem que se destacar entre todas, principalmente porque é a mais bonita.
Porra, onde foi que eu me meti?, penso, mantendo a boca fechada enquanto escuto.
— Coma pouco e mantenha esse corpo perfeito — ela continua com as instruções. — Sempre que tomar banho, passe o óleo do pote transparente. Escove os cabelos, esteja sempre arrumada, com dentes limpos, postura ereta e alinhada.
Ela tira de uma bolsa uma pequena vara de madeira e começa a usá-la para corrigir minha postura, tocando meus ombros e minhas costas.
Pronto, ferrou. Fui sequestrada por uma bruxa, penso, desesperada. Mãe, vem me buscar logo!, imploro em meu pensamento.
Quando a varinha chega à minha cintura, recebo uma batida firme na bunda que me faz dar um salto.
— Empina esse bumbum! Se ele te trouxe para cá, é porque gosta disso. E isso você tem de sobra, mais do que qualquer uma das outras.
Engulo o grito de dor, empino as costas e coloco o peito para a frente. Me sinto uma verdadeira pata — só falta começar a fazer quack, quack, quack.
Após a sessão de etiqueta forçada, me sento na cama, dolorida.
— Perfeita! Ele vai ficar louco — ela comemora com um sorriso esnobe.
— Como é o seu nome? — pergunto.
Ela hesita por alguns segundos antes de responder:
— Me chamo Hortência. Sou a governanta desta casa. Cuido de você e das outras, mas a minha atenção especial será sua.
Hortência segura meu queixo, avalia meu rosto mais uma vez e finalmente me deixa sozinha.
Vou direto até a janela. Lá embaixo, estende-se um jardim impecável de tulipas e, mais adiante, um portão alto de ferro escuro. O inferno pode até ser bonito, mas continua sendo o inferno. Olho para a altura; se eu pulasse, certamente quebraria as pernas, mas talvez saísse viva.
Na penteadeira de madeira, vejo uma escova de cabelo pesada. Pegando o objeto, me debruço na janela e o atiro com força lá para baixo para testar a reação dos guardas.
Poucos minutos depois, surge no portão um homem forte, loiro, vestindo uma túnica marrom. Droga, é claro que tinha segurança.
Antes que eu possa pensar no próximo passo, a porta do quarto se abre. É Hortência, trazendo a escova que joguei nas mãos.
Puta que pariu. E eu aqui esperando a resposta da escova, penso, congelando no lugar.
— Pensei que você fosse mais inteligente — Hortência diz, erguendo a escova. — Não fez escândalos, não gritou, não chorou, nem gemeu... e agora isso, Helena?
— Eu ia pentear os cabelos e a escova escorregou da minha mão — minto descaradamente, soltando o coque na hora para dar veracidade ao meu álibi.
Hortência nem sequer pisca.
— Se fizer isso novamente, o Senhor irá puni-la. E acredite: será muito doloroso.
Ela coloca a escova de volta na penteadeira enquanto outra serva traz uma bandeja de refeição. Sento-me para comer sob o olhar vigilante de Hortência. Desde que cheguei, sou forçada a comer com as mãos. Será que esse povo não conhece talheres?
— Helena, eu não estou aqui para ser sua inimiga. Quero ser sua amiga — ela diz, mudando o tom.
Solto uma risada debochada e me viro para ela.
— Se você é minha amiga, me ajuda a sair daqui! Minha mãe deve estar sem dormir, sem comer... Eu tenho família! Tenho irmãos, pai, avós, tios que devem estar loucos atrás de mim!
— Não posso ajudá-la com isso. Sou apenas uma serva — responde, fria.
— Então me leve até o seu patrão. Eu vou convencê-lo a me libertar.
Hortência me olha de cima a baixo com desdém.
— Você não vai até ele. Se ele quiser, e quando ele quiser, ele virá até você.
— Cara escroto do caralho — resmunguo entre dentes.
— Não fale palavrões! Aqui é terminantemente proibido.
— E se eu falar, o que vocês vão fazer comigo? Prefiro morrer a viver longe da minha família!
Hortência sai do quarto sem dizer nada e retorna minutos depois trazendo algumas folhas de papel. Ela começa a ler as regras da casa em voz alta, um conjunto de absurdos onde a palavra "Senhor" aparece no início e no fim de cada frase. Basicamente, eu teria que virar a servente particular dele e ficar de boca fechada.
— O quê? Ele acha mesmo que vai fazer isso comigo? — pergunto, chocada.
Hortência arqueia uma sobrancelha e sorri.
— Sim. Isso e tudo mais o que ele desejar.
Arranco os papéis da mão dela. Quando tento ler, vejo que são símbolos completamente estranhos para mim.
— Isso é árabe? Vocês são árabes?
Ela apenas balança a cabeça, enigmática.
— Pois pode dizer para esse árabe filho da puta que ele não vai tocar num único fio do meu cabelo! Se meu pai descobre isso, ele derruba esta casa e mata esse escroto!
— Helena, acalme-se. Não é assim que funciona. Ele não fará tudo de uma vez; ele vai testando seus limites aos poucos, até onde você aguentar.
— Ele que vá testar na puta da mãe dele! Então... é isso que ele faz com as mulheres que gritam a noite inteira?
Hortência assente com a cabeça, pega as folhas da minha mão e volta a ler com voz solene.
Terceira Regra: Não falar, não encarar os olhos dele e nunca beijar sua boca, nem mesmo se ele ensaiar um beijo.
Quarta Regra: Não atingir o êxtase sem a permissão dele. Sem permissão, haverá castigo.
Quinta Regra: Nunca gritar ou pronunciar o nome dele. Se alguém o disser, cubra os ouvidos.
Sexta Regra: Lembre-se: você é uma submissa. Não tem vontades nem desejos. Seus desejos são unicamente os que o seu dono determinar.
— Que porra de regras são essas, Hortência?! — coloco as mãos nos ouvidos, horrorizada.
Tomo os papéis de sua mão e os rasgo em vários pedaços.
— Helena, não faça isso! Você precisa aprender tudo! Se não aprender, será brutalmente castigada!
— Pois que me castigue! Eu não vou cumprir exigência nenhuma! — declaro, cruzando os braços.
Hortência me lança um olhar severo de advertência e deixa o quarto.
Volto para a janela. Para passar o tempo, passo a tarde toda provocando o segurança lá embaixo. Dou "psiu", dou tchauzinho e dou risada. O homem fica visivelmente sem jeito, envergonhado, e acaba trocando de posto com outro guarda.
— Covarde! — grito da janela, rindo ao vê-lo se retirar.
Mais tarde, uma criada traz o jantar. Hortência não aparece. Como apenas as frutas e me deito na cama para descansar.
Já é quase noite quando a porta se abre de novo. É Hortência. Ela faz um sinal para a criada recolher a bandeja e me encara.
— Me conta mais sobre essa história de ser submissa — peço, curiosa apesar de tudo.
Hortência sorri, satisfeita. Tira outro papel do bolso e me entrega. Este está escrito em inglês.
— Eu tenho que ler? Que coisa chata... Você não pode me contar?
Ela nega com a cabeça e se senta na poltrona. Começo a ler as regras em voz alta e, à medida que leio, nós duas começamos a conversar e até a rir das absurdidades ali escritas. Era tudo tão exagerado que eu estava curiosa para ver como ele aplicava aquilo nas outras mulheres, porque em mim, com certeza, não funcionaria.
— Você é bem mais interessante do que eu pensava, Helena. Menos encrenqueira que as outras — Hortência admite.
— Eu sempre fui assim — dou um sorriso mais leve. — Sou a mais tranquila dos meus irmãos. Na verdade, pela minha mãe somos Heloise, Saulo, eu e o Saymon. Da parte do meu pai, tem o Bryan.
— Você tem uma irmã com o seu nome? Que diferente.
— Na verdade, meu nome no documento é Helena, mas todo mundo me chama de Helen. Eu prefiro Helen. A outra Helena é filha do meu tio Júlio, mas minha mãe a cria desde pequena como se fosse filha dela. As duas são grudadas, explico, me lembrando de casa.
— Helen... Quanto mais eu te conheço, mais gosto de você — diz Hortência.
Aquela frase faz com que eu comece a vê-la de forma diferente. Nos dias seguintes, passamos a conversar com frequência. Os dias foram ficando mais toleráveis, embora a rotina continuasse a mesma: eu provocando os guardas da janela e os gritos noturnos se alternando com noites em que alguém tocava um instrumento suave pela casa.
Um mês se passou desde a minha chegada. Eu ainda não tinha visto o rosto do tal "Senhor Escroto". A mistura de ansiedade e medo continuava ali, mas minha resolução permanecia intacta: quando ele finalmente aparecesse, eu daria um jeito de fazê-lo me libertar. Aquilo só podia ser um engano. Esse tipo de coisa só funciona com quem quer ser submissa, e esse, definitivamente, não era o meu caso.
Estava distraída, encarando o teto do quarto rosa e dourado, quando ouvi o som diferente do de costume: não eram os passos leves de Hortência nem o andar silencioso das servas.
Eram passos pesados, firmes, ecoando pelo corredor e parando exatamente diante da minha porta.
A maçaneta dourada girou devagar.
Assenti.— Sim, olha como estou! — mostrei que já estava me recuperando.Ela me puxou para o meio das outras, querendo que eu dançasse, mas eu não estava no clima.— Desculpa, mas não sei muito bem essas coisas...Latifa me olhou e eu fui me afastando em direção ao jardim. Ela veio atrás.— Helena, dá para perceber que você não está bem.Sorri, sentando-me no mesmo banco de sempre, e ela sentou-se comigo.— Saudade de casa... Morta de saudade dos meus.Ela me abraçou e senti cheiro de flores naquele abraço. As lágrimas começaram a cair e não consegui segurar.— Eu quero abraçar a minha mãe! Quero sentir o toque dela, ouvir a voz dela! — falei, quase gritando em desespero.— Helena, calma! Calma, vamos subir.Estranhei o pedido; tinha acabado de descer. Por um instante, achei que ela temia que eu tivesse uma crise de choro. Toquei suas mãos.— Eu estou bem, não se preocupa. Já estou me controlando.— Não. Eu quero que você entre agora! — ela me ordenou e eu a segui.Olhei para o portão
HelenaAcordei no meio da noite e, como esperado, os gritos voltaram a ser ouvidos, desta vez, mais distantes. Senti-me um lixo por tudo o que havia acontecido entre nós; uma mistura de dor e ciúme me invadiu o peito, mas eu sabia que ele não era só meu. Deitei-me na cama após conversar muito com Hortência, que me aconselhara a dar um filho a ele. Eu não queria ter filhos, principalmente apenas para prender um homem a mim. Se me amasse, que fosse por livre e espontâneo amor.Amor? Que boba. Amor não existe; é uma invenção da nossa cabeça, algo criado para prender as mulheres. Levantei-me da cama faminta, vesti um robe por cima da camisola azul e saí do quarto. Os gritos ficavam cada vez mais fortes conforme eu chegava à escada. Olhei para o outro lado do corredor e algo me veio à cabeça: eu nunca tinha ido ao outro lado da casa, o lado que antes pertencia a elas.Com os gritos aumentando e diminuindo, a italiana parecia desesperada para tê-lo mais e mais. Levei a mão à boca enquanto a
Sendo ignorado, puxei-a com raiva. Ela era desobediente e se achava superior às demais. Fechei as janelas e passei o cadeado. Ela se jogou na cama sem me olhar, segurando sua rosa. Só de olhar para aquela flor, senti um calafrio.— Odalisca ordinária! — resmunguei ao sair.Tranquei a porta novamente. Quando cheguei ao jardim e olhei para a janela fechada, senti falta de vê-la ali. Que confusão dos infernos estava a minha cabeça! Era para trancar ou não a janela? Senti-me indeciso. Ao ver Zafir olhando naquela direção, concluí que era melhor deixar fechada mesmo. Ela era a mais bonita de todas, e eu sabia que os guardas a olhavam — o que, na minha frente, era um desrespeito intolerável.Entrei no carro e Samar me olhou pelo retrovisor.— Problemas com as submissas ou com ela?— Todas são submissas. Nenhuma é diferente das outras — respondi, seco.Ele riu e eu permaneci sério.— E aquela alegria toda de manhã?Neguei com a cabeça, mas a lembrança inebriante veio com tudo: nós dois na ba
POV SalimQuando já me sentia satisfeito com as quatro mulheres mais próximas ao quarto do castigo, fui até lá apenas para vê-la. Fodi com as outras pensando nela, confesso. Seus beijos, sua entrada quente, apertada e deliciosa... Mas eu sabia que ela não me queria. Eu a queria muito, mas não de forma forçada; queria que ela me desejasse como as outras, como na nossa primeira noite. Talvez eu a tivesse tratado bem demais para merecer tal desprezo.Ela dormia como um anjinho vestida de diaba. Imaginar outro homem tomando seu corpo era insuportável para mim. Descontrolei-me ao lembrar da reportagem a que assistira mais cedo na empresa: um de seus pretendentes oferecia um milhão por qualquer informação sobre ela.Estreitei os olhos para o nome que aparecia na tela: Adison George. Tremi de raiva e joguei tudo o que estava sobre a mesa no chão. Voltei para casa disposto a colocá-la contra a parede, mas logo me lembrei do tal Saulo, cujo nome ela chamara outro dia enquanto delirava de febre
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