HelenaAbro os olhos, mundo ainda gira. Minha cabeça pesa, dolorida. Ergo a cabeça devagar, tentando reconhecer onde estou, mas a escuridão é absoluta. Passo a mão pelo rosto, sentindo os dedos trêmulos. Sem firmeza nas pernas, tento me equilibrar, percebo que estou descalça. O chão é frio, úmido, há um leve gotejar em algum ponto do ambiente.Toco meu próprio corpo, me dou conta de que o macacão de seda que eu usava na recepção do meu aniversário de dezoito anos desapareceu. Meus cabelos estão soltos e despenteados.— Odeio lugares escuros — resmungo para o vazio.Prendo o cabelo num coque firme, como minha mãe sempre faz quando precisa de foco, e vou tateando as paredes frias até encontrar a quina de uma mesa. Em cima dela, sinto o contorno metálico de uma luminária grande, mas não faço a menor ideia de como acendê-la.Antes que eu possa procurar um interruptor, a porta se abre de golpe. A luz forte que invade o ambiente me cega por um instante. Instintivamente, cubro o rosto com o
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