Tempos de fúria

Na noite seguinte ao sepultamento, Raqsar dormiu.

Não em paz — mas em exaustão.

As ruas, que por dias haviam permanecido em vigília silenciosa, finalmente se recolheram. As lamparinas foram apagadas uma a uma, como se o reino inteiro tivesse decidido fechar os olhos ao mesmo tempo. O castelo, porém, continuava desperto, sustentado por corredores frios e sombras longas.

Sebastian não conseguiu deitar. Vez ou outra observava Clarisse que finalmente dormia.

Sentado à beira da cama, ainda vestido de preto, sentia o peso do dia anterior cravar-se nos ossos. O som da terra caindo sobre os caixões retornava sem aviso, repetindo-se como um martelo lento, constante, impossível de ignorar.

Ele não chorava.

A dor havia ultrapassado esse estágio.

Agora era algo mais rígido, mais cortante — uma mistura de luto e raiva que não buscava consolo, apenas direção. Desde o ataque, uma única palavra se repetia em sua mente com insistência cruel:

Cox.

O lugar para onde eram enviados os que ninguém queria m
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